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sexta-feira, 5 de abril de 2013



Orçamento impositivo é aprovado pela CCJ da Câmara
Enviado por luisnassif, sex, 05/04/2013 - 10:33
Por Assis Ribeiro
Do Correio Braziliense
CCJ da Câmara aprova Orçamento impositivo
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou ontem um conjunto de propostas de emenda à Constituição (PECs) que obrigam a União a executar por inteiro o Orçamento anual aprovado no Congresso. Em uma derrota para o governo, e atendendo o pedido do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o chamado Orçamento impositivo ainda garante que as emendas à lei orçamentária apresentadas pelos parlamentares sejam integralmente pagas, sem a necessidade de negociações políticas.
A aprovação da proposta foi uma das principais promessas de Henrique Alves na campanha para o comando da Casa. Há duas semanas, ele foi pessoalmente à CCJ reforçar o pedido. O tema, discutido ao longo de três sessões da comissão, foi aprovado só ontem, com o voto contrário dos petistas.
Anualmente, os deputados e senadores podem solicitar recursos para obras e projetos nos municípios no valor máximo de R$ 15 milhões cada. No entanto, a demora em executar essas emendas constantemente é motivo de embates entre Executivo e Legislativo. "As emendas são peças de manobra do governo para discriminar a oposição, mas até integrantes da base reclamam de não serem atendidos", destacou o deputado Arthur Maia (DEM-RN).
Outros integrantes da base governista não se manifestaram claramente contra a medida. Mas o PT saiu em defesa do governo. "Com as emendas sendo colocadas assim, há uma tendência a alterar a relação entre os poderes, possibilitando a ingerência do Legislativo nessa questão administrativa, o que desequilibra o sistema de pesos e contrapesos dos poderes", reclamou José Genoino (PT-SP). "É uma reação muito mais emocional, que procura atacar um problema da forma errada", completou Alessandro Molon (PT-RJ). O grupo do PT fez ainda outra crítica ao item que prevê punição por crime de responsabilidade fiscal ao presidente da República caso a lei orçamentária não seja executada. "É uma temeridade engessar o Orçamento dessa forma. Se o mundo sofrer uma crise e o país precisar economizar, o governo não vai poder mexer em nada", ressaltou Molon.
Arthur Maia rebateu: "Se o governo não tem dinheiro, que diminua o custeio da máquina. Mas precisa entender que as emendas fazem parte dos investimentos do país, um aditivo ao alcance das metas de crescimento". O projeto do Orçamento sobre o ano seguinte deverá ser encaminhado até maio para o Congresso e devolvido para o governo antes do recesso parlamentar do fim do ano. As propostas, saídas do Senado, ainda vão passar por uma comissão especial que vai analisar o mérito e seguir para o plenário da Câmara, com votação em dois turnos.
"Se o governo não tem dinheiro, que diminua o custeio da máquina. Mas precisa entender que as emendas fazem parte dos investimentos do país, um aditivo ao alcance das metas de crescimento"
Arthur Maia, deputado (DEM-RN)
 











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O fundamentalismo religioso e os transtornos mentais
 Enviado por luisnassif, sex, 05/04/2013 - 10:44

Por Gunter Zibell - SP
Do Pragmatismo Político

Fundamentalismo religioso é causa de graves transtornos mentais

Filha de missionários da Assembleia de Deus, especialista ajuda há mais de 20 anos homens e mulheres a se recuperarem das doenças psicológicas não só causadas por crenças religiosas, mas também aquelas que acabam sendo realçadas pelo fundamentalismo religioso

“Depois de 27 anos tentando viver uma vida perfeita, eu achei que tinha falhado… Eu tinha vergonha de mim durante todo o dia. Minha mente lutava contra ela mesma, sem alívio. Eu sempre acreditei em tudo que me foi ensinado, mas ainda assim pensava que não tinha a aprovação de Deus. Eu pensava que ia morrer no Armagedom. Durante anos, eu me machucava literalmente, cortava e queimava meus braços, para me punir antes que Deus o fizesse. Levei anos para me sentir curada.”


Livro contém 20 anos da experiência da autora

Esse relato é de um paciente de Marlene Winell (na foto abaixo), americana de San Francisco que se especializou em desenvolvimento humano e estudo da família. Ela é autora do Leaving the Fold: A Guide for Former Fundamentalists and Others Leaving their Religion — livro que, como diz seu título, é um guia sobre como se livrar das consequências de religião fundamentalista.

Winell cunhou o termo “Síndrome do Trauma Religioso”, STR (na sigla em português), para classificar os sintomas de pacientes que sofrem de transtornos mentais em decorrência da lavagem cerebral de religiões fundamentalistas.

Filha de missionários da Assembleia de Deus, Winel ajuda há mais de 20 anos homens e mulheres a se recuperarem das doenças psicológicas não só causadas por crenças religiosas, mas também aquelas que acabam sendo realçadas ou despertadas pelo fundamentalismo cristão.

Em entrevista à psicóloga Valerie Tarico, Winel disse que os sintomas do STR inclui, além da ansiedade, depressão, dificuldades cognitivas e degradação do relacionamento social. “Os ensinamentos e práticas religiosas, por vezes, causam danos graves na saúde mental.”

“No cristianismo fundamentalista, o indivíduo é considerado depravado e tem necessidade de salvação”, afirmou. “A mensagem central é ‘você é mau e merece morrer, porque o salário do pecado é a morte. [...] Já tive pacientes que, quando eram crianças, se sentiam perturbados diante da imagem sanguinolenta de Jesus pagando pelos pecados deles.”

Síndrome do Trauma Religioso se manifesta em pessoas de todas as idades, mas principalmente naquelas cuja personalidade esteja em formação, as crianças.

“As pessoas doutrinadas pelo cristianismo fundamentalista desde criança podem ser aterrorizadas por memórias de imagens do inferno e do apocalipse”, disse. “Algumas sobreviventes desse período, as quais eu prefiro chamar de ‘recuperadas’, têm flashbacks, ataques de pânicos, ou pesadelos na vida adulta, mesmo quando se libertaram das pregações teológicas.”


Livro de Marlene Winell trata da Síndrome do Trauma Religioso (Foto: Reprodução)

Um paciente relatou seus tormentos dessa fase de sua vida: “Eu acreditava que ia para o inferno por acreditar que estava fazendo algo de muito errado. Estava completamente fora de controle. Às vezes, eu acordava no meio da noite e começava a gritar, agitando os braços, tentando me livrar do que sentia. O medo e a ansiedade tomaram conta da minha vida.”

Winell afirmou que a recuperação de quem nasceu em uma família de fanáticos religiosos é mais difícil em relação àquele que adotou uma crença fundamentalista na vida adulta, porque não dispõe de parâmetro de comparação.

Ela disse que se livrar de uma religião é muito difícil em muitos casos porque isso significa pôr em risco um sistema de apoio composto por parentes e amigos, principalmente em relação às pessoas que nasceram em uma família de crentes fanáticos.

Uma paciente relatou o seu caso: “Eu perdi todos os meus amigos. Eu perdi meus laços estreitos com a família. Agora estou perdendo meu país. Eu perdi muito por causa desta religião maligna, e estou indignada e triste. . . Eu tentei duramente fazer novos amigos, mas falhei miseravelmente. Eu sou muito solitária.”

Outro paciente contou: “Minha vida estava fortemente arraigada e ancorada na religião, influenciando toda a minha visão do mundo. Meus primeiros passos fora do fundamentalismo foram assustadores, e eu tive pensamentos frequentes de suicídio. Agora isso está no passado, mas eu ainda não encontrei o meu lugar no universo”.

Winell disse que resolveu dar o nome de “Síndrome de Trauma Religioso” ao conjunto de sintomas e características da lavagem cerebral religiosa porque assim fica mais fácil estudar e diagnosticar as pessoas que sofrem desses males.

Ela argumentou que a nomenclatura “STR” fornece um nome e uma descrição para as pessoas afetadas pela religião, de modo que elas se sintam parte de um grupo e possam assim compartilhar suas experiências, reduzindo sua percepção de solidão e de culpa.

Por isso, Winell discorda de que a criação de termos como “recuperação de religião” e “Síndrome de Trauma Religiosa” sejam uma tentativa de ateus de patologizar as crenças religiosas. Até porque, disse, “a religião autoritária já é patológica

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