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domingo, 24 de fevereiro de 2013


Intervir num país à força é sempre pior do que não intervir
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 07:19
Por H. C. Paes
Comentário ao post "Líbia vive processo de 'somalização'"
A Líbia pré-invasão tinha o maior IDH da África.
É verdade, a produção de petróleo voltou. Deve ter valido a pena todos os cadáveres. Provavelmente também valeu a pena para a família do embaixador morto.
Resta ver para quem está indo o dinheiro. Khadafi provavelmente roubava e muito, mas a Líbia ainda assim se saía melhor do que os vizinhos.
E estima-se que vão levar dez anos para reconstruir a infraestrutura do país. Ainda bem que eles têm superávit comercial para pagar! Afinal, seria o cúmulo se tivessem de emprestar dinheiro para reconstruir o que a OTAN destruiu.
Não importa o quanto Khadafi fosse sanguinário, vou repetir em itálico para ver se entra na cabeça dura do André: intervir num país à força é SEMPRE pior do que não intervir. Seria melhor esperar a morte de Khadafi e deixar os líbios resolverem os próprios problemas do que deixar o país entrar em guerra civil.
E o engraçado é que, para o André, desempenho econômico basta para dizer que o país está ótimo. É a mesma coisa que falar do México sem mencionar que tem jornalista se exilando voluntariamente para não ser morto pelos traficantes, e que com o Nafta o país passou a ter de importar milho (cultura que surgiu no México). Ou falar dos EUA sem lembrar que o Gini do país está no pior nível em 50 anos.
E mesmo que o André gaste vinte parágrafos tentando nos convencer de que o México e os EUA são uma maravilha (o que ele certamente vai fazer), isso não muda o fato de que a Líbia jamais deu motivo para ter sua infraestrutura destruída - e não estou falando de poços de petróleo, estou falando de estruturas de uso civil como pontes, cidades, hospitais, escolas etc. - só para Hilary Clinton poder dizer "Wow" quando soube que Khadafi fora sodomizado até a morte pelos mesmos rebeldes ligados à Al-Qaeda que agora estão desestabilizando todo o Norte da África. Beleza de rebeldes, e bem-vinda seja a sharia ao país outrora laico. Mas laicismo, para o André, só vale se for o do partido Baath sírio-iraquiano.
Mas, é claro, é fácil abanar a mão, dizer simplesmente que os líbios "vão ter problemas" e que se danem os mortos.
O não-intervencionismo morreu, e com ele o pouco que havia de decência nas relações internacionais.
Espero que, se houver reencarnação, o André nasça num país sem recurso algum que o mundo desenvolvido cobice. Porque se nascer, ou vai ter um destino horrível ou vai ganhar muito dinheiro causando um destino horrível a outros.
Porém, os EUA não perdem por esperar. Cada um dos atos deles nos últimos 50 anos em que houve intervenção nos assuntos onde eles não eram chamados gerou algum nível de blowback.
  

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