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domingo, 24 de fevereiro de 2013


A renascença das entidades representantes da sociedade civil
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 08:29
Comentário ao post "O encontro pela defesa do Plano Diretor municipal de SP"
Por observador
Nassif, não deixa de ser intrigante essa renascença das entidades auto-denominadas representantes da sociedade civil. Depois de desaparecerem da mídia em janeiro de 2006, quando Serra substituiu Martha Suplicy, ressurgem agora formulando exigências sob a forma de uma Frente em Defesa de um plano diretor que neste interregno (Serra/Kassab-Haddad) permaneceu sem defesa alguma contra as maiores aberrações e crimes já cometidos contra o zoneamento paulistano.
Nada contra essa ressurreição repentina dessas 19 entidades "representativas" de todos nós, com suas palavras de ordem - "amplo processo participativo", "avaliação e construção coletiva", "gestão participativa", "construção e pactuação coletiva" - e o imperativo de entregar aos 54 vereadores um texto pronto para ser discutido e aprovado, que já deve estar pronto: o próprio assessor indicado pelo prefeito Serra para gerir a aprovação de construções com mais de 1500 metros quadrados, Hussein Aref Saab, vinha se dedicando ao assunto, enquanto adquiria 106 imóveis e um patrimônio declarado de mais de 50 milhões de reais, sem sofrer quaisquer interferências desses auto-representantes da sociedade civil, muito menos do Ministério Público, que somente em meados do último ano eleitoral abriu ação cautelar contra esse servidor com salário mensal de R$ 20 mil.
Todavia, depois de haver acompanhado o final da gestão Prestes Maia e, em seguida, a gestão Faria Lima (65/69) e Figueiredo Ferraz, entre 71 e 73, pude ver de perto a feitura do Plano Urbanístico Básico e do PDDI, bem como o esforço do prefeito Olavo Setúbal para implementá-los, entre 75 e 79. Foi quando conheci essa miríade de entidades representativas, na época capitaneadas por duas delas que ainda não ressuscitaram, Instituto de Engenharia e Instituto dos Arquitetos; foi quando testemunhei o poder do chamado mercado imobiliário nos três poderes.
Por isso, fico intrigado com essa repentina renascença de eternos ícones da participação popular, agora empenhados no plano 2013/2023. Principalmente por observar uma sociedade catatônica, que discute o amplo uso de bicicletas numa cidade erguida sobre um mar de morros ou colinas com até centenas de metros de aclives e declives, subidas e descidas íngremes que só atletas munidos de máscaras de oxigênio poderiam vencer sem maiores riscos, uma vez que a atmosfera paulistana continua altamente poluída e contraindicada para esforços pulmonares, seja nas ladeiras quase a prumo ou no fundo de vales de esgotos a céu aberto, como o Pinheiros e Tietê, com suas nuvens de mercaptanas, gás sulfídrico e muito carbono. Afinal, além do que sobrou de suas 55 mil indústrias e chaminés malcheirosas, a Paulicéia ainda convive com os escapamentos de 30 mil ônibus municipais e intermunicipais, 40 mil táxis e lotações e sete milhões de veículos em uso por causa de mais um desrespeito ao plano diretor de 72 (PDDI): ao invés de termos 400 quilômetros de linhas de metrô, temos apenas 65 quilômetros, por conta do profundo silêncio de nossos auto-proclamados representantes, amigos e assemelhados - como é o caso de vereadores empenhados em dar nome às ruas de nossos 1.530 km2 de área paulistana; deputados e promotores públicos.
E uma elite que paira acima disso tudo, a bordo da segunda maior frota mundial de helicópteros particulares, única maneira de fugir do engarrafamento diário de até 260 quilômetros de extensão. Nesse contexto, lembrando que temos um representante da colônia árabe como alcaide, além de possuirmos as maiores concentrações de japoneses, italianos, espanhóis, portugueses e sírios fora de seus países de origem, não seria interessante apelarmos para a ajuda internacional visando neutralizar a indústria imobiliária (e o imobilismo em transportes públicos tão do agrado das multinacionais que aqui vendem seus carros)enquanto procuramos encontrar meios de transformar nosso espaço urbano inteiramente mercantilizado em cidade digna desse nome? 
  

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