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domingo, 24 de fevereiro de 2013

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Unicamp disponibiliza obras raras para consulta na internet
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 14:18

Por alfeu
Do site da Unicamp

Obras raras e públicas

A Biblioteca Digital da Unicamp acaba de disponibilizar para consulta pública 43 títulos da Coleção de Obras Raras da Biblioteca Central Cesar Lattes (BC-CL). Dentre os volumes digitalizados, o mais antigo foi publicado em 1559. Outro destaque é uma obra que trata da história natural do Brasil, publicada em 1648 e que traz diversas ilustrações de plantas, animais e cenas de trabalho no campo. “Estamos muito satisfeitos em colocar esse material à disposição de um público mais amplo. Por serem raros, esses livros eram acessíveis a um número muito restrito de pessoas. Agora, qualquer interessado, a despeito do lugar do mundo onde ele esteja, poderá consultá-los gratuitamente”, comemora o coordenador da BC-CL, Luiz Atilio Vicentini.

De acordo com ele, a digitalização dos 43 volumes é resultado de uma parceria entre os sistemas de bibliotecas da Unicamp, USP e Unesp, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O trabalho foi realizado no Laboratório de Digitalização do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP. “A digitalização desses 43 livros é o primeiro passo para a estruturação de um laboratório de digitalização na Unicamp, dentro do projeto de implantação da Biblioteca de Obras Raras [Bora]. Graças ao apoio da Fapesp, nós já adquirimos dois scanners, no valor de 83 mil euros, que devem entrar em operação em março e dar continuidade à digitalização das cerca de 4 mil obras raras do nosso acervo”, estima Vicentini.

Segundo ele, o trabalho feito pelos profissionais do Laboratório de Digitalização da USP foi de altíssima qualidade. Tanto é assim que é possível ao observador analisar detalhes das ilustrações presentes no livro, como as ranhuras das folhas de um cajueiro ou as “estampas” da pele de uma jararaca. “Quero agradecer à colaboração dos colegas da USP, que fizeram um serviço irretocável”, atesta Vicentini.

Entre as obras raras que já estão disponíveis para consulta na Biblioteca Digital da Unicamp, a “Coleção Brasiliana”, composta por volumes escritos por viajantes dos séculos XVI ao XIX, chama a atenção pela riqueza de detalhes das ilustrações. Segundo o coordenador da BC-CL, essas obras certamente gerarão grande interesse por parte de pesquisadores das áreas das artes, história, economia, política e sociologia, entre outras. “Com essa iniciativa, a Unicamp supre a comunidade científica nacional e internacional de mais um instrumento capaz de criar e disseminar o conhecimento”, define.




















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Mauricio Dias: Joaquim amoleceu?
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 14:31

Por esquiber
Da CartaCapital

Joaquim amoleceu?



Mauricio Dias


O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou amolecido, cordato, compreensivo, após o generoso recesso do Judiciário. O tipo “malvadeza durão”, encarnado por ele ao longo do julgamento do chamado “mensalão” petista, esfumou-se. Talvez temporariamente ou, quem sabe, por força das circunstâncias.

Sob a presidência de Barbosa, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em reunião no dia 19, ao julgar o veto a patrocínios da iniciativa privada para festas de juízes, estabeleceu um nível porcentual de tolerância para a ética. É mais ou menos assim: eventos promovidos por conselhos de Justiça, tribunais e escolas da Magistratura podem ganhar incentivo privado de até 30%. Alguém poderá pensar: melhorou, só porque não havia limites.

Embora tomado pelo espírito da discutida cordialidade brasileira, o ministro Barbosa ainda fez uma ponderação restritiva ao que chancelou: “É uma primeira tentativa de segregar o Poder Judiciário dessas relações duvidosas, senão promíscuas, às vezes, com o empreendimento privado”. Fez a concessão emoldurada por um discurso duro: “A minha posição, e de outros conselheiros, é no sentido de proibição total. Acho que isso virá em futuro próximo”.

Houve, no entanto, quem não cedeu. Os conselheiros do CNJ Jefferson Kravchychyn e Jorge Hélio, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, ficaram a favor da proibição de 100%. Não queriam deixar para depois.

Esses patrocínios são uma tradição equivocada no Judiciário brasileiro. Na falta de freio, tudo foi se agravando: houve congresso em resort de luxo patrocinado por instituições financeiras e a Associação Paulista de Magistrados recebeu brindes que foram distribuídos em uma festa na qual, por fim, foi sorteado um carro.

“É uma verdadeira vergonha esse evento”, condenou, na ocasião, o corregedor do CNJ, Francisco Falcão. Ele anotou a transgressão na sua lista de tarefas.

Quem ousa negar um “pedidinho” de ajuda para realizar um evento da Magistratura? O pedido por si só constrange, independentemente de outros problemas que possa criar.

Quando corregedora, a ministra Eliana Calmon, a favor do veto total ao patrocínio, tinha força na opinião pública, mas era fraca junto às forças ocultas. Não chegou a levar a questão a plenário. Isso foi feito pelo ministro Francisco Falcão, atual corregedor. Falcão apresentou a proposta de veto total, mas não manteve a posição. Aderiu ao porcentual aprovado.

No Conselho, a maioria votou seguindo a proposta apresentada pelos ministros Carlos Alberto de Paula e o próprio Falcão. O novo texto foi costurado no último fim de semana pelos dois.

A explicação oficial para o recuo foi político: não se formou consenso. A decisão final foi obtida por maioria de 10 votos a 5.

Há também explicação oficiosa. Fontes bem informadas garantem que o Instituto Innovare, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que conta com apoio do Sistema Globo, conseguiu demover vários integrantes do CNJ.

Não se sabe se houve proibição de brindes, prêmios e passagens aéreas, entre outras coisas condenáveis. Essa decisão, de manga curta, do CNJ prova, entre outras coisas, que a ética no Brasil, tão invocada, avança no ritmo da nossa história: lenta e gradualmente.

Seguimos com o estandarte da esperança, no qual se lê: Brasil, país do futuro.






















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Agência Moody's rebaixa nota do Reino Unido
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 14:24

Por alfeu

Do site da RFI

À beira de uma nova recessão, Reino Unido perde seu triplo A

O Reino Unido teve sua nota rebaixada pela agência de classificação de riscos Moody's nessa sexta-feira, 22 de fevereiro. Com a notícia, o país, que está à beira da recessão, se reúne ao grupo de nações que perderam, nos últimos meses, o famoso “triplo A”, nota máxima dada pelos organismos internacionais para avaliar sua saúde financeira.


Ao rebaixar a nota do Reino Unido de AAA para Aa1, a agência de classificação de riscos Moody’s alerta os britânicos para a instabilidade financeira do país. O organismo alega uma “fraqueza contínua de perspectivas a médio prazo” e acredita que a atividade econômica ainda deve continuar nesse ritmo durante a segunda metade da década.

O rebaixamento não foi uma surpresa, já que reforça as últimas estatísticas divulgadas, que apontam um contexto crítico no Reino Unido, com uma queda de 0,3% em seu Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2012. Se a tendência continuar nos três primeiros meses de 2013, os britânicos entrarão em uma recessão pela terceira vez desde o início da crise financeira de 2008. Mas para os analistas, mesmo se a decisão da Moody’s enfraquece politicamente o governo do Reino Unido, ela não terá muito impacto nos mercados.

Com a notícia os britânicos passam a fazer parte do grupo dos países que perderam recentemente o famoso triplo A em pelo menos uma das agências de classificação de riscos. Atualmente apenas 11 nações no mundo preservam o patamar, dos quais oito são europeias e somente quatro fazem parte da zona do euro (Suécia, Noruega, Dinamarca, Suíça, Holanda, Alemanha, Luxemburgo, Finlândia, Austrália, Canadá e Cingapura).
 
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Jorge Ramos: Papa fica marcado por calar diante de injustiça
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 11:41
Do Uol

Papa Bento 16 será lembrado por calar diante de uma injustiça



Jorge Ramos


Papa Bento 16 deixa o salão Paulo 6º, no Vaticano, ao final da primeira audiência pública depois de anunciar sua renúncia. Ele disse a milhares de fiéis que estava deixando o cargo para "o bem da igreja"

O papa Bento 16 será lembrado por sua renúncia e por ter protegido milhares de sacerdotes pederastas. E por muito pouco mais. Passará à história como o papa que, ao enfrentar o principal desafio de seu pontificado, ficou calado.

Como papa, Bento poderia ter passado à história por proteger milhares de crianças que foram abusadas sexualmente por sacerdotes católicos. Mas não o fez. Preferiu guardar silêncio e encobrir pederastas criminosos. Seu silêncio destruiu a vida de menores de idade em todo o mundo.

A renúncia de Bento é bem-vinda. Disse que o fazia pelo bem da Igreja, e nisso tem razão. Se não teve a coragem e a força para denunciar à justiça civil os criminosos que há dentro dessa mesma Igreja, é melhor que se vá. O mínimo que podemos esperar é que o próximo papa não fique calado como ele.

Joseph Ratzinger desperdiçou todas as oportunidades que teve durante décadas para fazer o que era moralmente correto. De 1981 a 2005 foi o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e, literalmente, caíram sobre sua mesa milhares de casos de abuso sexual contra menores de idade cometidos por sacerdotes católicos. Nem uma única vez denunciou algum desses religiosos à polícia.

Nos últimos 50 anos foram denunciados mais de 9 mil casos de abuso sexual contra menores por parte de padres católicos, segundo a investigação do escritor Jorge Llistosella, autor do livro "Abusos Sexuais na Igreja Católica". Mas ele mesmo esclarece que esse número só inclui as denúncias que vieram à público. Muitas outras ficaram enterradas e escondidas. E sobre isso Bento nada fez.

Em 2004, 14 meses antes que Ratzinger fosse eleito papa, a Conferência Episcopal Católica havia dado a conhecer uma análise de documentos internos da Igreja que demonstravam que entre 1950 e 2002, nos EUA, mais de 4.300 padres católicos foram acusados de abusos sexuais por suas vítimas. Bento sabia disso. Ao chegar ao papado, poderia ter ordenado que esses documentos fossem entregues às autoridades para investigação posterior. Poderia ter-se certificado de que os sacerdotes pedófilos fossem levados à justiça; de que os culpados fossem castigados e proibidos de prejudicar a outros. É claro que não o fez.

Isso não é novidade. Bento atuou com a mesma passividade e cumplicidade na Alemanha, quando foi bispo de Munique. O jornal "The New York Times" relatou que em 1980, um ano antes de partir para Roma para ser o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o papa, antes Joseph Ratzinger, recebeu um documento que lhe informava que Peter Hullermann, um padre que foi acusado de abusos sexuais de crianças, estava sendo transferido de uma paróquia em Essen para Munique, para submeter-se a terapia. Hullermann continuou trabalhando com crianças e em 1986, depois de uma investigação policial, foi julgado e considerado culpado de abusos em sua nova paróquia.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou à imprensa que Ratzinger "não teve conhecimento" da transferência do padre Hullermann. Verdade ou não, seu comportamento futuro - tanto como papa quanto à frente da Congregação para a Doutrina da Fé - demonstra que nunca costumou entregar religiosos pederastas às autoridades civis.

Outro caso. Bento recebeu milhares de documentos sobre os diversos casos de abuso sexual de Marcial Maciel, o monstruoso fundador dos Legionários de Cristo. Mas em 2006, em vez de transformá-lo em um caso exemplar, o papa o afastou de todo ministério público e o protegeu da justiça até sua morte. Em sua viagem ao México em 2012, o papa se negou a encontrar-se com as vítimas de Maciel. Todo gesto papal é simbólico, e a mensagem de Ratzinger foi inequívoca: sabemos perfeitamente dos crimes de Maciel, mas não faremos nada a respeito.

Assim, o papa acredita na prática em dois sistemas de justiça: um padre católico abusa de um menor de idade e só é trocado de paróquia; um civil faz o mesmo e termina em uma prisão. É incompreensível que o chefe máximo de uma Igreja de 1,2 bilhão de fiéis tenha tomado a decisão de proteger os pederastas, e não suas vítimas. Isso vai contra os próprios preceitos do catolicismo.

Não creio na infalibilidade do papa. Tampouco creio que nesses temas tenha atuado com sabedoria. Pelo contrário, creio que Bento se equivocou redondamente ao tentar encobrir um dos piores escândalos da história recente da Igreja Católica. Longe de estar acima dos homens (como supõem muitos católicos), Bento demonstrou ser um líder temeroso, acovardado e péssimo exemplo para outros sacerdotes. O que Ratzinger fez com os casos de abuso sexual não deve ser imitado por ninguém, religioso ou não religioso.

17 comentários
 Link Permanente


Anonymous hackeia site do jornal O Liberal, do Pará
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 11:38

Por Sérgio D.
Nassif!

Desculpe, eu não sei onde mais posso postar, mas dê uma conferida... O site de um dos dois jornais de maior circulação no Pará, O Liberal (em disputa ferrenha com o Diário do Pará -- de Jader Barbalho), foi hackeado pelo grupo Anonymous! Trocaram todo o site por um aviso, com um texto sobre do grupo e um vídeo do YouTube, onde eles aludem a uma tal "Operação Rede Globo" (detonando a rede, claro). Pela maneira que se referem, acho possível que tenham hackeado veículos de outros lugares (alguém viu??). Ah, sim, a TV Liberal, do mesmo grupo que controla o jornal, é a retransmissora da Globo aqui no Pará.

Se ainda estiver hackeado, confiram:
http://www.orm.com.br/oliberal/
Não estou conseguindo incorporar o vídeo, então vou colocar o link, pra se possam conferir mesmo que corrijam o hack que fizeram no site




Ignez, de Pixinguinha, pelo grande Andre Mehmari
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 11:53
Publicado em 14/11/2012 Ignez - Pixinguinha (piano solo, A. Mehmari) ouça também / see also: https://vimeo.com/54120453





















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Cicloativista defende a redução do número de carros nas ruas
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 13:43

Por alfeu
Do Sul 21

Para cicloativista dos EUA, reduzir carros nas ruas é única opção

Samir Oliveira

A diretora da ONG Transportation Alternatives, de Nova York, Caroline Samponaro, está em Porto Alegre para participar do 2º Fórum Mundial da Bicicleta. Em sua primeira visita à cidade, ela diz estar “inspirada pela energia incrível dos ativistas daqui”. Para ela, Nova York demonstra a necessidade de uma discussão inevitável: a busca de alternativas para diminuir a supremacia do automóvel nas ruas das grandes cidades.

A organização de Caroline foi fundada em 1973 com o objetivo de propor alternativas ao transporte nova-iorquino, prioritariamente orientado para beneficiar os automóveis. No início, todo o quadro da ONG era voluntário, mas hoje a entidade já possui cerca de 10 mil integrantes e 25 funcionários em tempo integral, sobrevivendo da contribuição dos filiados e de doações.

O perfil dos membros da Transportation Alternatives é diverso. “Nossos filiados tendem a ser mais velhos e nossos ativistas, mais novos. Temos uma ampla base de apoio e estamos organizados em comitês nas cinco regiões da cidade. Cada escritório possui suas próprias campanhas locais, o que torna o ativismo muito dinâmico”, explica.

A luta dos cicloativistas de Nova York é pela retirada gradual dos espaços destinados aos carros de uso individual na cidade para que a coexistência entre usuários de ônibus, táxis e bicicletas possa ser mais pacífica, segura e sustentável. “O que realmente incomoda os taxistas não são os ciclistas, são os engarrafamentos. Os ciclistas são mais vulneráveis, por isso é mais fácil culpá-los. Mas a solução é reduzir o número de automóveis privados e dar mais espaço aos outros modais, assim não teremos que lutar uns contra os outros”, comenta Caroline.

Para a diretora da Transportation Alternatives, a luta por uma cidade diversificada em seus modais de mobilidade urbana é, também, a luta por uma cidade que valorize e democratize seus espaços públicos. “A área das calçadas e das ruas corresponde a 80% de todo o espaço público de Nova York. Nos últimos anos, a população tem se dado conta de que esse espaço é inseguro e inacessível para qualquer um que não seja motorista de carro”, observa.

A participação política

Caroline Samponaro acredita que a participação política dos ciclistas e dos cidadãos favoráveis ao fim do carrocentrismo é essencial para que as mudanças ocorram. Ela explica que, em Nova York, o nível de governo mais próximo do cidadão são os comitês locais nomeados pela prefeitura nas comunidades.

“São estruturas muito importantes politicamente. Eles agem na comunidade, mas não significa que a representem. Nosso trabalho, enquanto ativistas, é fazer com que as pessoas entendam que precisam ir às reuniões dos comitês para fazer pressão e assegurar que todas as vozes sejam ouvidas antes que as decisões sejam tomadas”, define.

Caroline entende que muitas mudanças podem acontecer quando os cicloativistas conquistam vagas na política institucional e cita o exemplo do departamento de transportes da cidade, que possui ex-integrantes de sua ONG em funções importantes. “É um departamento bastante progressista. Começamos a ver políticos mais jovens que entendem e se preocupam com essas questões, que sabem que é impossível sustentar um modelo de cidade voltado somente para os carros”, comemora.

Em novembro deste ano, Nova York terá uma nova eleição para a prefeitura da cidade. Caroline diz que a ONG está fazendo um trabalho de conscientização dos eleitores, já que o índice de participação nas urnas costuma ser bem baixo. “Às vezes, um candidato vence por cem votos. Temos que lembrar as pessoas que o voto delas é importante”, conclui.

A relação com a polícia

Nos estados unidos, o policiamento é uma competência municipal. Caroline Samponaro avalia que a relação dos ciclistas com a polícia de Nova York é bastante ruim e tenso. “Os policiais só se preocupam em aplicar multas por pequenos delitos. Se converteram em uma máquina de distribuir tickets (os bilhetes com as penalidades). Não fiscalizam ninguém por excesso de velocidade, que é a principal causa de morte nas ruas”, lamenta.

Ela diz que há “uma muralha entre o departamento de polícia e os ciclistas”. “Não faz sentido termos uma polícia que não utiliza seus recursos para atacar o que está matando as pessoas, que é o excesso de velocidade. Tentamos conquistar mudanças através de reuniões com os policiais ou de debates na mídia, mas não estamos conseguindo”, reconhece.

A ativista entende que Nova York precisa de um prefeito que queira assumir o ônus político de enfrentar o departamento de polícia e implementar mudanças culturais na corporação. “A mudança na polícia passará por determinações expressas de um prefeito. Mas é muito difícil. Em Nova York, a polícia é muito reverenciada pela população, colocam os agentes num pedestal. Quando se fala em questões como mobilidade urbana e ciclismo, eles dizem que têm coisas mais importantes com as quais se preocupar. Na mente deles, precisam realizar um intenso trabalho de contra-terrorismo. Essa tem sido a grande prioridade nos últimos 10 anos”, compara.

Parques e estacionamentos

Uma das principais lutas dos cicloativistas de Nova York é a abolição do uso de carros dentro dos dois principais parques da cidade: o Central Park e o Prospect Park. Ambos possuem ruas asfaltadas em seus interiores por onde circulam automóveis durante os horários de pico.

“Uma das nossas maiores campanhas é tornar esses parques zonas totalmente livres de carros. Eles são utilizados para lazer, são nossos espaços públicos mais importantes, onde as pessoas vão para relaxar. É uma loucura abrir os parques aos carros. Com tantas mudanças positivas acontecendo, deixar que os carros passem por dentro dos parques é prender Nova York ao passado”, reclama.

Outro problema enfrentado pelos ativistas diz respeito aos estacionamentos dos automóveis. Caroline Samponaro entende que é necessário limitar e dificultar o acesso dos carros na cidade. “Nova York é uma cidade com um custo de vida extremamente elevado. A única coisa que é possível fazer de graça é estacionar um carro. Queremos que a cidade se torne cara para os carros”, pontua.

Ela defende uma taxação sobre os veículos estacionados nas laterais das ruas. “A rua é uma infraestrutura que pertence ao público. Quem não possui carro é obrigado a conviver em ruas abarrotadas de carros. Se queremos realmente reduzir a utilização dos automóveis na cidade, precisamos fazer com que seja mais difícil estacioná-los”, propõe.

A preocupação com segurança

Caroline Samponaro diz que não adianta apenas ter mais pessoas utilizando a bicicleta como meio de transporte para que a cidade se torne mais adaptável a esse modal. A diretora da ONG Transportantion Alternatives entende que o caminho deve ser justamente o inverso.

“Sempre penso na minha mãe. Ela jamais utilizaria a bicicleta como meio de transporte, pois as ruas estão entupidas de carros. É preciso implementar políticas para tornar o ciclismo mais seguro, só assim teremos um cenário positivo para as mudanças”, defende.

A ativista observa que “não existe outra opção”. “As grandes cidades estão ficando sem opções. Em 15 anos, Nova York terá mais um milhão de habitantes. Não temos como suportar mais um milhão de carros nas ruas. É preciso fazer uma escolha”, alerta.

A reação

Apesar das conquistas dos ciclistas em Nova York, Caroline Samponaro explica que a reação está sempre presente. Ela comenta que, quando a prefeitura decidiu instalar ciclovias em uma grande avenida da cidade, acabou sendo processada por uma senadora do estado de Nova York que morava na região.

“Muitas pessoas ricas vivem nessa rua e ficaram incomodados. Manipularam dados e estatísticas para dizer que não era seguro ter uma ciclovia. Durante um ano inteiro, houve um ciclo de notícias terríveis para os ciclistas na mídia. Mas, no final, a população acabou percebendo que eles (críticos da medida) não eram os donos da rua”, recorda.

Ela entende que os maiores conflitos são “geracionais” e costumam ocorrer com pessoas mais velhas. E observa que o lobby da indústria automobilística é bastante forte no país. “Enfrentamos o lobby da Triple A (American Automobile Association). É engraçado, eles dizem que não têm nada contra nós, mas emitem comunicados demonizando os ciclistas. Possuem uma força enorme”, lamenta.

Para a diretora da ONG, é importante que mais pessoas se juntem à organização para fortalecer seu poder de incidência política. “Existe uma diferença entre o nosso atual poder político e o poder que temos capacidade de ter. Não basta termos pessoas que nos apoiam. É preciso que se juntem a nós, que debatam as causas em suas comunidades. Como movimento, já avançamos muito, mas ainda há muito o que fazer”, acredita.




















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Tecnologia permite visibilidade social de jovens pobres
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 13:57

Por alfeu

Do Instituto Humanitas Unisinos

A multiplicação da internet nas favelas e a visibilidade social dos jovens. Entrevista com Jorge Luiz Barbosa


“O uso da internet significa a apropriação e uso de tecnologias que afirmam a visibilidade do jovem de origem popular”, afirma Jorge Luiz Barbosa, professor da Universidade Federal Fluminense e coordenador geral do Observatório de Favelas.
Uma pesquisa realizada em cinco favelas do Rio Janeiro, Rocinha, Cidade de Deus, Manguinhos e os complexos do Alemão e da Penha, apontou que 90% dos jovens dessas comunidades acessam a internet de seus computadores pessoais. Para o levantamento, foram entrevistados 2 mil jovens, e o estudo foi realizado em parceria pela Secretaria Estadual de Cultura, juntamente com a ONG Observatório de Favelas.
“Na rua o jovem de favela é apenas 'um jovem da favela', não é um cidadão. Não possui sua cidadania reconhecida, seu corpo abrigado e sua vida respeitada. Agora no seu Facebook ele se mostra, fala de si, identifica suas preferências, afirma seus gostos, enuncia seus conflitos, tudo isso porque não se sente só. Entra em contato com jovens parecidos com ele e diferentes dele”, destaca o professor e pesquisador em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.
Jorge Luiz Barbosa é graduado e fez mestrado em Geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez doutorado na Universidade de São Paulo e pós-doutorado em Geografia Humana pela Universidade de Barcelona – Espanha.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Que mudanças são sinalizadas pela adoção dos usuários de baixa renda à rede, sobretudo com o componente de que acessam a partir de seus computadores? As lan houses passam a ocupar um papel secundário na inclusão social?

Jorge Luiz Barbosa – O uso da internet significa a apropriação e uso de tecnologias que afirmam a visibilidade do jovem de origem popular, geralmente estigmatizado e desconhecido na cidade. Esse processo significa, por outro lado, uma possibilidade formidável de ampliação de sua experiência de tempo/espaço, uma vez que sua mobilidade urbana é reduzida e constrangida porsituações econômicas, sociais e raciais. As lan houses fizeram e ainda fazem parte deste processo de afirmação do jovem em territorialidades virtuais. Porém, cada vez mais os jovens (com a ajuda de suas famílias) conseguem ter seu próprio computador e por isso ganham, além de um bem distintivo, um dispositivo de informação e comunicação mais pessoal. Assim, as lan houses tendem a perder o público que anteriormente tinham e precisarão se reconverter em pequenas empresas de prestação de serviço de internet para continuar atuando no mesmo segmento técnico-econômico nas favelas.
IHU On-Line – Como podemos compreender a invisibilidade do cidadão nas ruas e seu
sentimento de pertença na internet? De que maneira a tecnologia redefine o relacionamento social entre as classes?

Jorge Luiz Barbosa – Na rua o jovem de favela é apenas “um jovem da favela”, não é um cidadão. Não possui sua cidadania reconhecida, seu corpo abrigado e sua vida respeitada. Agora no seu Facebook ele se mostra, fala de si, identifica suas preferências, afirma seus gostos, enuncia seus conflitos, tudo isso porque não se sente só. Entra em contato com jovens parecidos com ele e diferentes dele. Há, portanto, a criação de pertenças. Pertenças que não são virtuais, pois eles se comunicam com signos e significados que lhes são comuns, a referência da rede de conversações é o vivido, é cultura compartilhada, é o território habitado por eles. A tecnologia não redefine relações, mas os sujeitos que se apropriam e fazem uso dela como dispositivo de autonomia de construção e afirmação de suas identidades. Acredito que isso poderá aproximar jovens de distintas classes sociais, bairros e favelas. Sendo uma das mediações importantes para a construção de uma cidade una e plural.

IHU On-Line – O que isso representa em termos de imaginário da cidade?

Jorge Luiz Barbosa – Significa uma revolução no imaginário urbano. Os jovens de espaços populares constroem seu repertório simbólico, a partir da navegação na rede, ao baixar músicas, filmes e fotos elaboram um acervo próprio. Experiência que era impossível para seus pais. Isso é uma nova história pessoal e coletiva se fazendo no contemporâneo. É importante destacar que os acervos são feitos de trocas, de postagens, downloads e uploads. Isto é, há circulação cada vez mais intensa de imagens sonoras e visuais. E, como a nossa pesquisa demonstrou, essas trocas não acontecem apenas no mundo virtual. Os jovens das favelas fazem uma passagem rápida do virtual para o corpóreo, pois suas trocas se concretizam no presencial: na rua, na praça, nos bailes, no churrasco na laje. Ou seja, é nos espaços comuns que celebram o encontro, vivem a presença do outro, constroem identidades. É nesse momento que cantam, dançam, contam e, portanto, vivenciam seus acervos. Essa “comunidade de sentido” é a nova geografia do imaginário da cidade.

IHU On-Line – Que perspectivas se delineiam para o diálogo das diferenças na sociedade com esse empoderamento digital de pessoas que moram nas favelas?

Jorge Luiz Barbosa – Os jovens de espaços populares criam estilos, por exemplo, o passinho do menor. Os garotos criam palcos em becos e escadarias, inventam seus passos na musicalidade do funk e do charme, gravam vídeos e postam no YouTube. Nos dias seguintes outros jovens de favelas estão assistindo e criando seus passos. Esta circularidade alcança os jovens dos condomínios e coberturas dos bairros de classe média alta. Logo mais estes mesmos jovens distantes estarão dando seus passinhos nos seus salões de festas. Estamos diante da possibilidade do diálogo de diferenças e de diferentes (e de desiguais). O destaque deste fenômeno estético-cultural é o território que é a centralidade de sua criação, é o corpo de sua expressão, é a marcação simbólica de sua origem. Podemos chamar isso de empoderamento? Penso que sim. Mas não de um empoderamento digital, pois este é apenas um dispositivo, mas sim de imaginário corporificado nas práticas dos jovens das favelas.
IHU On-Line – Em que sentido tecnologias como as fotos tiradas por celulares ajudam a construir uma memória antes não disponível?

Jorge Luiz Barbosa – É este o acervo de representações que são feitas pelos próprios jovens. São evocações de si, do outro e do mundo que vêm sendo construídas de forma mais ou menos autônoma. Poder representar a si mesmo, superando representações estereotipadas de distantes, é um exercício de democracia, além de construir a própria memória social e não simplesmente recebê-la pronta.

IHU On-Line – Os computadores com acesso à internet ocupam o espaço que era da televisão? Como compreender que algumas casas não tenham geladeira, mas tenham computador?

Jorge Luiz Barbosa – Nossa sociedade vive de bens distintivos. É partir deles, e com eles, que somos considerados e respeitados. Infelizmente é essa a marca hegemônica de nossa sociedade. Por outro lado, o consumo se tornou um campo de disputa de imaginário. Só os mais pobres das favelas não possuem televisão. E só os mais pobres entre os mais pobres não possuem geladeira. O computador tem o seu próprio significado e espaço nas famílias das favelas, inclusive de manter seus filhos dentro de casa e longe das situações de conflitos armados entre facções criminosas e entre estas e a polícia. 
IHU On-Line – O que a exposição de imagens revela sobre a individualidade do sujeito? Há, de alguma forma, uma espécie de busca por uma identidade/comportamento mais parecido com o a classe média?

Jorge Luiz Barbosa – Acredito que há um movimento de individuação dos jovens de espaços populares. Mostrar quem é, o que sonha e o que quer. É a construção do sujeito olhando para o futuro. A identidade precisa ter essa relação com futuro, com o devir. Se não se ossifica, se banaliza. As entrevistas demonstram que os jovens estão traduzindo suas identidades com sua vivência em seus territórios de morada. Suas perspectivas possuem essa relação com o território; com seus conflitos e contradições. Daí, não acredito que se assemelhem às expectativas limitadas da classe média. Os jovens de favelas precisam querer muito mais do que ser um consumidor.
IHU On-Line – Que papel as mulheres ocupam neste espaço virtual? Há diferenças no comportamento, nos usos ou, até mesmo, no acesso?

Jorge Luiz Barbosa – Essas questões serão desdobradas nas análises das informações obtidas com as jovens entrevistadas. Nossa pesquisa também se fez com recortes sociais e territoriais específicos. Há questões de gênero e de gênero/raça que serão desveladas em breve
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Complexo do Alemão abriga lançamento do Portal Portinari
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 14:09

Por alfeu
Da Agência Rio de Notícias

Rio lança o Portal Portinari na Praça do Conhecimento do Alemão

O Projeto Portinari e a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia do Rio lançam nesta sexta-feira (22), às 14h30, o Portal Portinari (http://www.portinari.org.br), na Praça do Conhecimento do Complexo do Alemão, instalada na Comunidade Nova Brasília, na Zona Norte da cidade.

O portal tem o objetivo de democratizar a obra de Cândido Portinari, uma vez que 95% do acervo do artista estão inacessíveis ao público. Resultado de uma pesquisa de mais de 30 anos, o site vai disponibilizar uma complexa base de dados com cerca de 30 mil itens, reunindo obras, cartas, fotografias, periódicos e depoimentos que se referem não só a Portinari como também a seus contemporâneos.

Para marcar o evento, o Projeto Portinari e a SECT organizaram uma oficina de navegação pelo novo site com jovens do Complexo do Alemão. Oficinas semelhantes também serão desenvolvidas, em breve, na Praça do Conhecimento de Padre Miguel e nas Naves do Conhecimento de Santa Cruz, Madureira, Irajá, Penha e Vila Aliança (Bangu). O fundador e diretor geral do projeto, professor João Candido Portinari, participará do evento.

Com uma catalogação minuciosa sobre a obra do pintor, sua vida e época, o Portal Portinari vai oferecer ao usuário uma interface inovadora e ferramentas necessárias para uma navegação mais acessível e lúdica para o grande público. De acordo com João Candido, por pertencerem a coleções privadas, mais de 95% das obras de Portinari estão inacessíveis à vista pública:

- Sempre sonhei em disponibilizar as obras ao maior número possível de pessoas. A obra de Portinari carrega mensagens éticas e de valores humanos em prol da paz, retrata a vida, alma e o povo brasileiro. No início, há 33 anos, não havia tecnologia para isso. Hoje, novas ferramentas nos permitem colocar esse conteúdo no colo das pessoas. Batizamos esse ideal de ‘Portinari para todos’. No novo Portal, os usuários (crianças, jovens, estudantes, professores, pesquisadores, curiosos ou simplesmente amantes da arte) poderão navegar brincando - afirmou o professor.

Além de todo o acervo do Projeto Portinari, o novo portal também dá acesso ao acervo de artistas contemporâneos, como Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Luís Carlos Prestes, Afonso Arinos, entre outros.
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O debate sobre esterilização das mulheres etíopes em Israel
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 12:38

Por Dê
Do Brasil de Fato

Limpeza étnica em Israel

Baby Siqueira Abrão

correspondente no Oriente Médio

O reconhecimento, por parte das autoridades israelenses, da esterilização das mulheres etíopes que professam a religião judaica – e que migram para Israel usando a “lei do retorno” (allyah), segundo a qual todo judeu do mundo pode “voltar” a Israel, mesmo que jamais tenha posto os pés lá – foi manchete em quase toda a mídia internacional, corporativa e independente. A questão levantou debates intensos em círculos feministas, de direitos humanos, dos direitos da população negra e na sociedade israelense. Uma leitura atenta das cartas dos leitores publicadas na mídia de Israel mostra uma maioria perplexa e crítica, mas houve também quem defendesse a esterilização, e não foram poucos – espelho de uma sociedade política, econômica, social, religiosa e culturalmente bastante diversificada. E dividida.

Mas com um novo Parlamento tomando posse e discussões em torno do futuro primeiro-ministro – Benjamin Netanyhau deve ser eleito para seu segundo mandato consecutivo, e o terceiro não consecutivo –, além do tema recorrente da “ameaça” representada pelo Irã atômico e da “necessidade” de impedir que os iranianos fabriquem bombas nucleares, acabaram pondo um ponto final no debate sobre a esterilização. Mas isso não significa esquecê-lo. O fato levantou questões importantes sobre o tratamento dispensado a imigrantes pobres e negros – e em particular às mulheres desse grupo. O debate precisa ser retomado pelas sociedades israelense e internacional para evitar que práticas assim, que violam direitos humanos básicos, voltem a ocorrer.

Primeiro alerta

 Na última década, a taxa de natalidade entre as mulheres etíopes de Israel teve uma queda de 50%. Há mais de cinco anos a hipótese da esterilização veio à tona, em consequência dos relatos das etíopes. Pequena parte da mídia israelense noticiou o fato, mas as autoridades de Israel sempre o negaram. Foi o trabalho da pesquisadora Sabba Reuven, levado ao ar pela jornalista Gal Gabay no programa Vacuum, da TV Educativa de Israel, que escancarou o fato, no início de dezembro de 2012.

As entrevistadas foram claras: são obrigadas a tomar, a cada três meses, as injeções de Depo-Provera, anticoncepcional cujo efeito é de longo prazo. Vacuum chegou a acompanhar uma delas ao posto de saúde – a filmagem, feita sem o conhecimento dos funcionários, tem baixa qualidade e está nublada para evitar o reconhecimento das pessoas envolvidas, mas ainda assim registra a prática.

O problema maior é que a verdade jamais foi dita a essas mulheres. A esterilização, segundo os relatos delas, começa na Etiópia, nos “campos de trânsito”, nome dos locais para onde são levados os judeus africanos que querem emigrar para Israel. “Entre 1980 e 1990 milhares de judeus etíopes passaram meses nesses campos, na Etiópia e no Sudão”, escreveu Efrat Yardai, porta-voz da Associação Israelense de Judeus Etíopes, em artigo para o jornal Haaretz. “Centenas morreram apenas porque o país que supostamente devia ser um refúgio seguro para os judeus decidiu que ainda não era a hora certa, ou que eles não poderiam ser absorvidos ao mesmo tempo, ou que não eram judeus o bastante... Quem já tinha ouvido falar de judeus negros?”, ela provoca.

Vida controlada

Para Efrat, as injeções de Depo-Provera são parte da atitude do governo israelense em relação aos imigrantes africanos. Hoje em dia, nos campos de trânsito, os futuros imigrantes são obrigados a enfrentar “uma desorganização burocrática terrível, uma carga que lhes é imposta para que provem que estão aptos a viver em Israel”. Ao chegar ao novo país, de acordo com Efrat, eles passam a receber “tratamento” em centros de assimilação. As crianças são enviadas a escolas religiosas e incluídas num programa de educação “especial”, enquanto os pais “permanecem em guetos e as mulheres continuam a receber as injeções. [As autoridades] dizem que não temos escolha. As políticas repressivas, racistas e paternalistas prosseguem – políticas que supostamenteseriam no melhor interesse dos imigrantes, que não sabem o que é melhor para eles”, ironiza ela.

Efrat vai além, afirmando que esse controle completo sobre a vida dos imigrantes é feito apenas em relação aos etíopes e impede que eles se adaptem a Israel. “A desculpa de que eles precisam estar preparados para viver num país moderno levam-nos a um processo de lavagem cerebral que os torna dependentes das instituições estatais de assimilação”, denuncia a porta-voz.

As entrevistadas de Gal Gabay sustentam as denúncias de Efrat Yardai. “Em Adis Abeba [Etiópia] eles marcaram uma reunião conosco (...) Disseram que, se continuássemos tendo muitos filhos, não conseguiríamos emprego em Israel. (...) Disseram que as injeções seriam dadas para evitar esse sofrimento, e que a cada três meses tínhamos de tomá-las”, contou uma imigrante. “E vocês aceitaram tomá-las?”, perguntou a jornalista. “Não. Nós não queríamos tomar. Recusamos. Mas eles disseram que não tínhamos escolha.”

Contracepção forçada

Nenhuma das etíopes sabia qual era a substância injetada em seus corpos. Ninguém as avisou de que o Depo-Provera é um anticoncepcional aplicado apenas em último caso, como na esterilização de mulheres aprisionadas ou que não têm controle sobre as próprias ações. Tampouco lhes contaram que o Depo-Provera tem um histórico nada recomendável. Entre 1967 e 1978 a substância foi injetada em 13 mil mulheres (metade negras) da Geórgia, Estados Unidos, que também não sabiam que eram cobaias. Muitas adoeceram e algumas acabaram morrendo durante o experimento, de acordo com uma pesquisa realizada em 2009 pela Isha L’Isha, organização feminista sediada em Haifa, Israel. A mesma pesquisa apontou que 60% das injeções de Depo-Provera, em Israel, são destinadas às etíopes. O segundo grupo mais visado é o de mulheres sob várias formas de custódia. Os efeitos colaterais variam, mas o mais comum é a osteoporose, que fragiliza os ossos e expõe as mulheres ao risco de quebrá-los com frequência.

Coordenadora do projeto Mulheres e Tecnologias Médicas da Isha, Hedva Eyal afirmou que o documento foi encarado com desinteresse pelas autoridades do país e que muitos “batiam a porta na cara” das integrantes da organização. “É estarrecedor constatar como os testemunhos das mulheres são rejeitados, em especial os das mulheres pobres e negras”, desabafa Hedva. As autoridades não levam em contam que “as decisões sobre a saúde e a fertilidade das mulheres podem e devem ser tomadas apenas por elas”, que para isso precisam ter acesso pleno a todas as informações importantes sobre o assunto. “Mas não foi esse o caso, ao que parece”, afirma ela




















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O que há de verdade e ficção no filme de Ben Affleck
 Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 13:47
Apenas uma curiosidade sobre um dos concorrentes ao Oscar.

O filme "Escape From Iran" de 1980 conta a história do resgate dos funcionários da embaixada americana em Teerã, retratado com alguma fantasia em Argo. O filme conta com depoimentos dos 6 resgatados.

Descobri isso nesta reportagem da BBC:

Da BBC

Argo: The true story behind Ben Affleck's Globe-winning film

By Vincent Dowd
BBC World Service

Ben Affleck's film Argo tells the bizarre story of how in 1980 the CIA - with Canadian help - sprang a group of Americans from Iran after they escaped a US embassy overrun by protestors.

The film, which has received seven Oscar nominations including one for best picture, is based on real-life events. But how much of it is fiction?

When Mark Lijek took Tehran as his first posting in the US foreign service, he knew he wasn't opting for an easy life.

"I was asked to volunteer in October 1978 and things in Iran were already pretty bad," he explains.

"There were violent demonstrations on the streets and it wasn't at all clear the Shah could survive. Then in January he abdicated and left the country."

Mark did a six-month course in Farsi before arriving in Iran in the summer of 1979, followed by his wife. Cora Lijek wasn't a foreign service official but was given a contract because the embassy urgently needed Farsi speakers.

The couple couldn't have guessed how quickly they would find themselves in extraordinary circumstances.

The US embassy in Tehran consisted of 26 acres surrounded by more than a mile of wall, with only 13 marines to protect it. Not long before Mark's arrival it had been overrun by anti-American protestors who had left after a few hours.

So when demonstrators again broke in, early on 4 November 1979, Mark initially assumed the same thing might happen.

"Mainly the protest was because America had chosen to admit the Shah for medical treatment. The consular building, where Cora and I worked, was at least five minutes from the main chancery building and had its own door onto the street.

"The people who broke in forgot about us or initially didn't much care."

Mark Lijek, now retired, is impressed with how Ben Affleck stages the taking of the US embassy in Argo, a sequence filmed partly in Istanbul and partly on location in California.

"It was almost the first time I'd thought deeply about what it must have been like for the 50 or so Americans in the main building," he tells the BBC. "Those scenes were quite difficult to watch."

It is after the six Americans slip away from the embassy that Argo becomes a masterclass in reshaping reality into a Hollywood hit.

The screenplay has the escapees - Mark and Cora Lijek, Bob Anders, Lee Schatz and Joe and Kathy Stafford - settling down to enforced cohabitation at the residence of the Canadian ambassador Ken Taylor.

In reality, after several nights - including one spent in the UK residential compound - the group was split between the Taylor house and the home of another Canadian official, John Sheardown.

Mark Lijek says he can see why Argo makes the switch. "That group dynamic builds the tension, I suppose, and makes it seem more dramatic when there's disagreement.

'Books and Scrabble'

"However, it's not true we could never go outside. John Sheardown's house had an interior courtyard with a garden and we could walk there freely.

"But it is true we had little to do except read books and play Scrabble. We drank quite a lot too."

The screenplay ratchets up the tension when an Iranian maid at the Canadian ambassador's residence guesses who his guests are. "Kathy Stafford, who was at the ambassador's, calls that a composite character," continues Lijek.

"I think some Iranian employees probably did work out who the Staffords were, but it was a highly theoretical risk."

The central element of the story sounds incredible but is in fact true. The CIA cooked up a plan to spirit the six out of the country on a scheduled flight from Tehran's Mehrabad airport, masquerading as Canadians working on a non-existent science-fiction film.

Mark Lijek recalls that, of the group, he was the most immediately enthusiastic. "I thought it had the right amount of pizzazz. Who but film-makers would be crazy enough to come to Tehran in the middle of a revolution? I had no problem pretending to be in the movie industry."

The truth - which Argo artfully obscures - is that the cover story was never tested and in some ways proved irrelevant to the escape.

There is a sequence in the film where the six go on a location scout in Tehran to create the impression they are movie people. According to Mark, the scene is total fiction.

"We could never have done that. Our story was to be that the Canadian ambassador had strongly advised us not to scout for locations because of instability on the streets.

Phoney documents

"If asked, we were going to say we were leaving Iran to return when it was safer. But no one ever asked!"

In retrospect, Mark Lijek thinks the value of the cover story was to give the escapees the confidence to get through the ordeal at the airport.

Argo's final scenes are superbly tense, as the six make it onto the plane by the skin of their teeth. The CIA had given them false departure documents for which, of course, there were no matching arrival forms.

The big climax is a heart-pounding chase down the runway as gun-toting members of the Revolutionary Guard try to stop them taking off.

"Absolutely none of that happened," says Mark.

"It's true there could have been problems with documentation - it was our biggest vulnerability.

"But the Agency had done its homework and knew the Iranian border authorities habitually made no attempt to reconcile documents.

"Fortunately for us, there were very few Revolutionary Guards about. It's why we turned up for a flight at 5.30 in the morning; even they weren't zealous enough to be there that early.

"The truth is the immigration officers barely looked at us and we were processed out in the regular way. We got on the flight to Zurich and then we were taken to the US ambassador's residence in Berne. It was that straightforward."

The six were meant to live in Florida under assumed names until the release of other embassy personnel held hostage in Tehran, which came in January 1981. But the plan was dropped when reports of the escape appeared in newspapers.

In 1981, a TV movie called Escape from Iran: The Canadian Caper told the story minus the CIA's involvement. The agency didn't admit its role until 1997.

Mark says it came as a relief when he could finally talk openly about the events in Iran. He's a fan of Argo and takes a wryly amused view of how it burnishes the truth to dramatic effect.

Of course, Mark is wise to the ways of film-makers. Back in the 1980s, he was briefly in movies himself.
 
Brasilianas.org sobre a Erradicação da Miséria
Enviado por luisnassif, sab, 23/02/2013 - 09:00
Programa Brasilianas.org abordará políticas para erradicação da miséria

Nesta segunda-feira (25), às 11h da manhã, vamos gravar nos estúdios da TV Brasil a próxima edição do Brasilianas.org que esta semana discute Os desafios para a erradicação da miséria absoluta.
Para debater as ações do governo federal que visam reduzir o chamado “núcleo duro da miséria” e as articulações político-gerenciais que necessitam ser feitas para melhorar a eficiência dos programas sociais de combate à fome, convidamos a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello; a jornalista e cientista política Maria Inês Nassif; e o diretor de Políticas e Estudos Sociais do Ipea, Rafael Osorio.
Em onze anos 19,5 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza, faixa de renda que recebe menos de R$ 70,00 mensais. O anúncio foi feito nesta semana pela presidente Dilma Rousseff em evento sobre os resultados do Programa Brasil sem Miséria. Atualmente existem 2,5 milhões de pessoas no país que necessitam de auxílio para superarem a linha da extrema pobreza.
PARTICIPE ENCAMINHANDO SUAS PERGUNTAS, que poderão ser lidas durante a gravação.


Tereza Campello, Ministra do Dezenvolvimento Social e Combate à Fome   Foto: Wilson Dias/Br

Em janeiro, indústria cresce mais de 1% no país
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 12:27
Por Assis Ribeiro
Do Valor Econômico
Economia reaqueceu em janeiro
Arícia Martins e Tainara Machado
Indicadores de atividade industrial e consumo em janeiro mostram que a economia começou 2013 em ritmo acelerado. Para analistas, dados como o avanço do tráfego de veículos pesados nas rodovias, a alta na expedição de papelão ondulado e o salto na produção de automóveis apontam que a indústria cresceu mais de 1% em relação a dezembro, na série com ajuste sazonal, após a perda de fôlego observada no último trimestre do ano passado. Para alguns economistas, a alta pode chegar a 2%.
No entanto, especialistas afirmam que é cedo para extrapolar esse comportamento para todo o primeiro trimestre, já que o aumento da atividade nas fábricas seguiu concentrado no setor automobilístico e o IPI totalmente reduzido para carros, em vigor até dezembro, pode ter dado um último alento às vendas e à produção do mês passado. Há, ainda, a percepção de que esse repique da indústria pode ser reflexo de recomposição de estoques e, portanto, não deve durar.
A produção de veículos subiu 11,2% de dezembro a janeiro, segundo cálculos dessazonalizados pela Tendências Consultoria com base nos números da Anfavea, entidade que reúne as montadoras. O fluxo de veículos pesados nos pedágios cresceu 5% e a expedição de papel ondulado, 3,8% na mesma comparação.
Com base nesses indicadores, a Tendências projeta expansão de 1,6% na produção, mas não vê esse desempenho como sustentável, diz a economista Alessandra Ribeiro. Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, afirma que apesar da expectativa de variação superior a 1,5% na produção industrial entre dezembro e janeiro, o sentimento dos empresários não mostra situação tão favorável, o que pode indicar crescimento menos intenso nos próximos meses.
O economista-chefe da BB DTVM, Marcelo Arnosti, é mais otimista. Ele afirma que pode haver avanço entre 2% e 2,5% da indústria em janeiro. Os estoques mais ajustados, a sustentação do ritmo forte da demanda das famílias e alguma recuperação da produção de bens de capital, na esteira do início de uma reação do investimento, poderão garantir um fechamento melhor para a indústria no primeiro trimestre do ano.
  

Intervir num país à força é sempre pior do que não intervir
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 07:19
Por H. C. Paes
Comentário ao post "Líbia vive processo de 'somalização'"
A Líbia pré-invasão tinha o maior IDH da África.
É verdade, a produção de petróleo voltou. Deve ter valido a pena todos os cadáveres. Provavelmente também valeu a pena para a família do embaixador morto.
Resta ver para quem está indo o dinheiro. Khadafi provavelmente roubava e muito, mas a Líbia ainda assim se saía melhor do que os vizinhos.
E estima-se que vão levar dez anos para reconstruir a infraestrutura do país. Ainda bem que eles têm superávit comercial para pagar! Afinal, seria o cúmulo se tivessem de emprestar dinheiro para reconstruir o que a OTAN destruiu.
Não importa o quanto Khadafi fosse sanguinário, vou repetir em itálico para ver se entra na cabeça dura do André: intervir num país à força é SEMPRE pior do que não intervir. Seria melhor esperar a morte de Khadafi e deixar os líbios resolverem os próprios problemas do que deixar o país entrar em guerra civil.
E o engraçado é que, para o André, desempenho econômico basta para dizer que o país está ótimo. É a mesma coisa que falar do México sem mencionar que tem jornalista se exilando voluntariamente para não ser morto pelos traficantes, e que com o Nafta o país passou a ter de importar milho (cultura que surgiu no México). Ou falar dos EUA sem lembrar que o Gini do país está no pior nível em 50 anos.
E mesmo que o André gaste vinte parágrafos tentando nos convencer de que o México e os EUA são uma maravilha (o que ele certamente vai fazer), isso não muda o fato de que a Líbia jamais deu motivo para ter sua infraestrutura destruída - e não estou falando de poços de petróleo, estou falando de estruturas de uso civil como pontes, cidades, hospitais, escolas etc. - só para Hilary Clinton poder dizer "Wow" quando soube que Khadafi fora sodomizado até a morte pelos mesmos rebeldes ligados à Al-Qaeda que agora estão desestabilizando todo o Norte da África. Beleza de rebeldes, e bem-vinda seja a sharia ao país outrora laico. Mas laicismo, para o André, só vale se for o do partido Baath sírio-iraquiano.
Mas, é claro, é fácil abanar a mão, dizer simplesmente que os líbios "vão ter problemas" e que se danem os mortos.
O não-intervencionismo morreu, e com ele o pouco que havia de decência nas relações internacionais.
Espero que, se houver reencarnação, o André nasça num país sem recurso algum que o mundo desenvolvido cobice. Porque se nascer, ou vai ter um destino horrível ou vai ganhar muito dinheiro causando um destino horrível a outros.
Porém, os EUA não perdem por esperar. Cada um dos atos deles nos últimos 50 anos em que houve intervenção nos assuntos onde eles não eram chamados gerou algum nível de blowback.
  

Crescimento do comércio global fica bem abaixo do esperado
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 11:56
Por Assis Ribeiro
Do Valor Econômico
Comércio mundial cresce em 2012 menos da metade que no ano anterior
Assis Moreira
GENEBRA - O comércio mundial cresceu em 2012 bem menos do que se previa, conforme as primeiras estimativas divulgadas hoje pelo Centro de Pesquisa Econômica da Holanda (CPB, na sigla em inglês), que faz monitoramento mensal das exportações e importações.
De acordo com o CPB, o comércio global expandiu apenas 2,2% em volume no ano passado, menos da metade da expansão de 5,8% registrada no ano anterior e dos 15,1% de 2010, quando havia expectativa de retomada da economia global. Em valor, o resultado é pior, com o comércio mundial registrando contração de 2,1%, comparado a uma alta de 13,1% nos preços em 2011.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) começara 2012 projetando alta de 3,7% no comércio internacional, mas teve de revisar a cifra para 2,5% em julho, diante da contínua deterioração econômica global.
Para este ano, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, prevê modesta recuperação do comércio mundial, com avanço de 4,5%, com as exportações dos desenvolvidos subindo 3,3% e a dos países em desenvolvimento, 5,7%. No lado das importações, a estimativa é de altas de 3,4% e 6,1%, respectivamente.
Neste cenário, continua a ameaça de uma guerra comercial. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, observou em Moscou, antes da reunião de ministros de Finanças do G-20, que essa guerra é a outra faceta da falta de mercados e da dificuldade de exportações dos países.
Como disse Mantega, a falta de demanda mundial leva os países a conflitos. No ano passado, o crescimento do comércio mundial foi pífio, enquanto várias nações dependem das exportações para crescer.
O resultado é que os países passam a se acotovelar para exportar. Aqueles que não conseguem estimular a economia doméstica acham que a saída é exportar. Se todo mundo chegar a essa conclusão, o risco de mais conflitos é inevitável. Conforme Mantega, a guerra das moedas é resultado da falta de mercado. O ministro considera que a situação é exacerbada pelo fato de a estratégia europeia de fazer ajuste fiscal é buscar uma saída pela exportação.
Pelos dados preliminares do CPB, o comércio mundial fechou 2012 com queda de 0,5% em dezembro, na comparação com novembro. Em novembro, por sua vez, tinha havido crescimento de 0,7% ante o mês anterior. Os números sinalizam, também, que 2013 não será um ano fácil para as vendas externas.
Em profunda crise, a zona do euro conseguiu começar a sair do fundo do poço através das exportações, já que a demanda interna continua sofrendo com a austeridade imposta pelos governos. Em 2012, suas vendas externas subiram 0,3%, comparado a 3,3% em 2011. Já as importações afundaram 3,4% em volume no ano passado, comparado a alta de 2,9% registrada em 2011.
No caso dos emergentes, as exportações em volume cresceram 3,5%, metade da alta do ano anterior. As vendas da América Latina tiveram expansão de 5,5%, em linha com o desempenho de 2011. No lado das importações, o crescimento do lado dos emergentes foi de apenas 2,3% quando tinha sido de 10,8% no ano anterior.
Em valor, as exportações dos países desenvolvidos tiveram queda de 2,2%, comparado a alta de 11,2% em 2011. No caso da zona do euro, faturaram 4,7% a menos com suas exportações, após uma alta de 11,3% em 2011.
Quanto aos emergentes, suas exportações em preço tiveram queda de 1,2%, quando tinham subido 14% no ano anterior.
As exportações dos países da América Latina caíram 4,5% em valor, comparado a alta de 16,4% em 2011.
Esse desempenho ocorreu em meio à queda generalizada na demanda global, que estimulou as críticas sobre guerra cambial para estimular exportações mais baratas.
Conforme o CPB, a produção industrial mundial teve crescimento de apenas 3,4% em 2012, após avançar 5,4% no ano anterior. Nos países desenvolvidos, em crise, a expansão foi de apenas 0,4%, comparado a 2,2% no ano anterior. A zona do euro registrou contração de 2,7%, ante alta de 3,5% em 2011. Nos emergentes, a produção industrial manteve-se em 0,1%, comparado a alta de 8,5% em 2011.
  

O vício da China em investimentos, por Zhang Monan
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 12:05
Do Valor Econômico
O vício da China em investimentos
Zhang Monan
O modelo de crescimento da China está ficando sem força. De acordo com o Banco Mundial, nos 30 anos posteriores à reforma econômica iniciada por Deng Xiaoping, os investimentos foram responsáveis por 6 a 9 pontos percentuais do índice de crescimento econômico anual médio do país, de 9,8%, enquanto a melhora na produtividade contribuiu apenas com 2 a 4 pontos percentuais. A China, confrontada com a vagarosa demanda externa, fraco consumo doméstico, aumento dos custos da mão de obra e baixa produtividade, depende excessivamente dos investimentos para conduzir sua expansão econômica.
Embora esse modelo seja insustentável, não há sinais de redução dessa dependência excessiva de investimentos. Na verdade, à medida que a China passar por um processo de maior intensidade do capital (aumento do capital por trabalhador), ainda mais investimentos são necessários para contribuir na elevação da produção e nos aperfeiçoamentos tecnológicos de vários setores.
No período 1995-2010, quando o índice de crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) da China foi de 9,9%, os investimentos em ativos fixos (investimentos em infraestrutura e projetos imobiliários) tiveram um fator de crescimento de 11,2, tendo apresentado aumento anual médio de 20%. Os investimentos totais em ativos fixos somaram, em média, 41,6% do PIB, sendo que em 2009 chegaram ao pico de 67% do PIB, nível que seria impensável na maioria dos países desenvolvidos.
Para chegar ao próximo estágio do desenvolvimento econômico, a China precisa de um novo modelo de crescimento. A dependência em relação aos investimentos não vai permitir que ela tenha crescimento de longo prazo estável
A alta taxa de investimentos também é explicada pelo declínio na eficiência do capital de investimento, o que se reflete na elevada relação produção-capital incremental (RPCI, que é a divisão entre os investimentos anuais e o crescimento da produção anual). No período 1978-2008 - a era da abertura e reforma econômica - a RCPI média da China foi relativamente baixa, de 2,6, atingindo seu ponto máximo entre meados dos anos 80 e início dos 90. Desde então, a RCPI da China mais do que dobrou, demonstrando a necessidade de um volume significativamente maior de investimentos para gerar uma unidade de produção adicional.
Como o acúmulo e a maior intensidade do capital aceleram o crescimento, acabam perpetuando o modelo de investimentos de baixa eficiência e estimulando a produção em excesso. Quando a produção supera a demanda doméstica, os produtores são forçados a aumentar as exportações, criando uma estrutura industrial voltada à exportação e altamente dependente de capital, que respalda um alto crescimento econômico. Embora a expansão do crédito possa amenizar isso em certa medida, o aumento da produção baseado na expansão de crédito, inevitavelmente, leva a riscos financeiros em grande escala.
Portanto, a combinação de investimentos, dívidas e crédito vem formando um ciclo de risco que se autoalimenta e encoraja a produção em excesso. Na esteira da crise financeira internacional, os bancos chineses foram instruídos a conceder créditos e investir em projetos de infraestrutura como parte do gigantesco pacote de estímulos fiscais e monetários da China. Como resultado, a relação crédito/PIB da China subiu em 40 pontos percentuais entre 2008 e 2011, com a maior parte da concessão sendo direcionada a investimentos de grande escala de empresas estatais. Nos últimos dois anos, o crédito bancário tornou-se a maior fonte de capital na China - uma situação arriscada, dada a baixa qualidade e a inadequação do capital dos bancos.
Enquanto isso, a forte demanda por moeda levou a M2 (base monetária ampliada) da China a aumentar para 180% do PIB - o maior patamar no mundo. O resultado foi um imenso muro de liquidez que desencadeou inflação, levou os preços imobiliários às alturas e alimentou um forte aumento no endividamento.
Como é de interesse dos governos locais manter os altos índices de crescimento da economia, muitos captam para promover investimentos de grande escala em projetos imobiliários e de infraestrutura. A política fiscal ativa adotado durante a crise financeira permitiu a rápida expansão das plataformas locais de financiamento estatal (empresas de investimentos apoiadas pelo Estado por meio das quais os governos locais levantam dinheiro para investimentos em ativos fixos) de 2 mil, em 2008, para mais de 10 mil, em 2012. Com o crescimento do endividamento dos governos locais, no entanto, os bancos começaram a considerar as plataformas de financiamento imobiliário e dos governos locais como um grande risco de crédito.
Da mesma forma, com importantes setores deparando-se com excesso de produção e desaceleração do crescimento do lucro, o déficit das empresas está em alta - e suas dívidas tornam-se um risco cada vez maior. Na verdade, a proporção de gastos acima da receita das empresas está em alta e a taxa de rotatividade de recebíveis, em queda. No terceiro trimestre de 2012, os recebíveis de empresas industriais somavam 8,2 trilhões de yuans (US$ 1,3 trilhão), 16,5% a mais do que no mesmo período de 2011, obrigando muitas a captar ainda mais para cobrir a lacuna, o que eleva ainda mais o endividamento.
De acordo com a GK Dragonomics, as dívidas empresariais chegaram a 108% do PIB em 2011 e a 122% do PIB em 2012, maior patamar em 15 anos. Muitas das empresas com alto endividamento são estatais e muitos dos novos projetos que iniciaram são "superprojetos", com o retorno do investimento demorando mais do que os bancos credores imaginam. De fato, a cadeia de capital de algumas das firmas muito endividadas poderia muito bem quebrar-se nos próximos dois anos, quando chegarem ao principal período de pagamento das dívidas.
Como resultado, o sistema financeiro da China torna-se cada vez mais frágil. A expansão dos investimentos em infraestrutura - que, segundo alguns informes, supera os 50 trilhões de yuans, incluindo a construção de estradas e ferrovias de alta velocidade - levará à expansão dos balanços patrimoniais dos bancos. Os créditos para investimentos e as gigantescas dívidas das plataformas locais de financiamento, somadas ao crédito fora dos registros canalizado pelo sistema bancário "paralelo", aumentam o risco de que os créditos inadimplentes abalem o setor bancário muito em breve.
Para chegar ao próximo estágio do desenvolvimento econômico, a China precisa de um novo modelo de crescimento. A dependência em relação aos investimentos não vai permitir que a China tenha prosperidade e um crescimento de longo prazo estável; ao contrário, pode muito bem infringir sérios danos de longo prazo ao desempenho econômico.(Tradução de Sabino Ahumada)
Zhang Monan é pesquisadora do Centro de Informações da China, da Fundação de Estudos Internacionais da China e da Plataforma de Pesquisas Macroeconômicas da China. Copyright: Project Syndicate, 2013.
www.project-syndicate.org
 
A Ilha do Perigo e os Banana Splits
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 07:53
Por Edivaldo D
Comentário ao por "Ícones pop dos anos 70"
A Ilha do Perigo, era um seriado dentro do programa Banana Splits, cada espisódio era bem curto e era uma aventura do tipo caça ao tesouro mas puro pastelão, os bandidos eram uns piratas nojentos e idiotas KKK
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Fato consumado, por Wálter Maierovitch
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 08:18
Por Edsonmarcon
Comentário ao post "Lobby gay pode ter levado Bento XVI à renúncia"
Sou mais por ESTA explicação:
Da CartaCapital
Fato consumado
Wálter Maierovitch
No curso da Segunda Guerra Mundial, o papa Pio XII, com as burras vaticanas cheias, resolveu fazer tábula rasa ao texto do evangelista Mateus sobre não se poder servir ao mesmo tempo ao Senhor e a Mamon, para usar a palavra aramaica dita por Jesus Cristo e traduzida por dinheiro, riqueza. Assim, em junho de 1942, foi fundado o Banco do Vaticano, disfarçado pelo acrônimo IOR (Instituto para as Obras Religiosas).
A meta era fazer o capital render frutos. Algo já executado pelo papa Mastai Ferretti (Pio IX), que, com Roma no caminho irreversível de integrar a Itália unificada (1870) e ser a futura capital, mandou o belga Francesco Saverio de Merode comprar, a preço de banana e para a Igreja, terrenos numa área urbanisticamente estratégica: virou a zona ferroviária central e a englobar a famosa Stazione Termini.
O papa Bento XVI, nesses últimos dias de pontificado, tenta reforçar a ideia da renúncia por ter perdido as forças e o ânimo para enquadrar a Santa Sé, ou seja, a detentora de poder soberano por representar a Igreja Católica e o Estado do Vaticano. Um detalhe: a Santa Sé, que é uma espécie de conselho de ministros (Cúria Romana) num regime laico parlamentarista, é composta de membros escolhidos pelo próprio papa, que designa um secretário de Estado (ou primeiro-ministro), no caso, o cardeal Tarcisio Bertone.
Bertone, que há pouco o papa recusou publicamente seu beija-mão e a escancarar a desconfiança, é um antigo colaborador de Ratzinger e dos tempos do Santo Ofício, repaginado em Propaganda Fide. Ao revelar a ingovernabilidade da Santa Sé, empurra a responsabilidade para o secretário de Estado e mantém a aura do magistral teólogo espiritualizado e distante das questões temporais.
Por pressão de Bertone, o papa Ratzinger engoliu o preenchimento do cargo de presidente do conselho de administração do IOR. Cargo vago há nove meses com o escandaloso afastamento do banqueiro Gotti Tedeschi, outro da turma de Bertone. Essa nomeação à undécima hora passou a ser considerada um ato de “blindagem” a Bertone. Em outras palavras, um fato consumado e a não deixar espaço para o futuro pontífice, que poderá não ser Bertone.
Na estrutura administrativa da monarquia vaticana, o IOR está atrelado à Secretaria de Estado e conta com uma comissão cardinalícia de vigilância presidida pelo próprio Bertone e da qual participa Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo. Em resumo, foi escolhido Ernst von Freyberg, por rezar na mesma cartilha de Bertone e que conseguiu, também, prorrogar os mandatos dos demais integrantes do conselho administrativo do IOR.
Von Freyberg, de 54 anos, será a garantia do silêncio e da tradição de não se punirem grandes bandidos que, aliás, contam com imunidade diplomática, a alcançar todos os membros do IOR. Só para lembrar, o mandado de prisão expedido pela Justiça italiana em fevereiro de 1987 contra o então prelado Paul Casimir Marcinkus, presidente do IOR por 19 anos (sua posse deu-se em 1971), jamais foi cumprido diante da imunidade vaticana.
Para o jornal Corriere della Sera, o cardeal Bertone, quanto ao IOR, executou a estratégia do “fato consumado”. Como brechas ficaram a gestão fraudulenta do Instituto Dermatológico (IDI) e a falência fraudulenta do Hospital São Rafael, do nada franciscano monsenhor Luigi Verzè, com rombo estimado em 1,5 bilhão de euros.
O IOR sempre foi o calcanhar de aquiles dos papas. Nas épocas de Paulo VI e João Paulo II vieram a furo os escândalos protagonizados pelo arcebispo Marcinkus, que teve como comparsas Michele Sindona, banqueiro da Máfia, Roberto Calvi, que transformou o Banco Ambrosiano em lavanderia, e Licio Gelli, mandachuva da Loja Maçônica P2. O prejuízo financeiro da Santa Sé, que mente ao afirmar não ter havido nenhum, beneficiou Gelli e Umberto Ortolani, que, por evidente, fugiu para o Brasil e se instalou em luxuoso apartamento no Morro dos Ingleses, sofisticado bairro paulistano.
Os valores desviados referiam-se a pacotes acionários do Vaticano. O objetivo era evitar pagar as taxações estabelecidas pelo governo italiano e referentes a dividendos acionários: Marcinkus foi dado como membro da Loja Maçônica e se descobriu que outro membro, de carteirinha número 1.816, era Silvio Berlusconi.
Marcinkus ficou protegido no interior dos muros leoninos que cercam o Vaticano até 1989. Tempo suficiente para preparar seu sucessor, o bispo Donato De Bonis. Ele transformou o IOR numa offshore secreta e usava como laranja para depósitos em conta corrente o cardeal-arcebispo de Nova York, Francis Spelman.
Pelo Banco do Vaticano, presidido por De Bonis, passaram as propinas pagas no escândalo da Enimont, da qual a estatal italiana ENI detinha 80% do capital acionário. De Bonis, depois de afastado sem sanções por Wojtyla, virou diretor espiritual da Soberana Ordem Militar de Malta. Por coincidência, o novo presidente do IOR pertence a essa ordem fundada em 1048.
  

China admite relação entre poluição local e casos de câncer
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 08:06
Por Demarchi
Da Agência Brasil
Governo da China admite que país pode ter "vilas do câncer"
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Ministério do Meio Ambiente da China reconheceu, pela primeira vez, que elevados níveis de poluição podem estar relacionados à incidência de casos de câncer em algumas localidades do país. Há quatro anos, foi publicado na imprensa local um mapa que identificava essas regiões, chamadas “vilas do câncer”.
O reconhecimento está em um relatório do ministério, que é divulgado no momento em que as autoridades chinesas discutem os problemas causados pela poluição e pelo lixo industrial.
Alguns veículos de comunicação da China divulgaram relatos e dados que mostram que, nas últimas décadas, aumentou a incidência de câncer em vilarejos perto de fábricas e rios poluídos.
No relatório, o Ministério do Meio Ambiente também menciona que as indústrias chinesas podem estar usando substâncias químicas proibidas em países desenvolvidos, por serem consideradas nocivas à saúde humana.
De acordo com dados não oficiais, a poluição aumentou com a rápida industrialização do país durante as últimas três décadas. Algumas cidades chinesas estão entre as mais poluídas do planeta. Mas a poluição não se limita às cidades, conforme o mapa da poluição.
Na relação de substâncias nocivas está o nonifenol, um composto orgânico sintético proibido na indústria têxtil da Europa, mas utilizado na China, que adota o produto também na fabricação de detergentes.
*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa, e da BBC Brasil
Edição: Davi Oliveira

A renascença das entidades representantes da sociedade civil
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 08:29
Comentário ao post "O encontro pela defesa do Plano Diretor municipal de SP"
Por observador
Nassif, não deixa de ser intrigante essa renascença das entidades auto-denominadas representantes da sociedade civil. Depois de desaparecerem da mídia em janeiro de 2006, quando Serra substituiu Martha Suplicy, ressurgem agora formulando exigências sob a forma de uma Frente em Defesa de um plano diretor que neste interregno (Serra/Kassab-Haddad) permaneceu sem defesa alguma contra as maiores aberrações e crimes já cometidos contra o zoneamento paulistano.
Nada contra essa ressurreição repentina dessas 19 entidades "representativas" de todos nós, com suas palavras de ordem - "amplo processo participativo", "avaliação e construção coletiva", "gestão participativa", "construção e pactuação coletiva" - e o imperativo de entregar aos 54 vereadores um texto pronto para ser discutido e aprovado, que já deve estar pronto: o próprio assessor indicado pelo prefeito Serra para gerir a aprovação de construções com mais de 1500 metros quadrados, Hussein Aref Saab, vinha se dedicando ao assunto, enquanto adquiria 106 imóveis e um patrimônio declarado de mais de 50 milhões de reais, sem sofrer quaisquer interferências desses auto-representantes da sociedade civil, muito menos do Ministério Público, que somente em meados do último ano eleitoral abriu ação cautelar contra esse servidor com salário mensal de R$ 20 mil.
Todavia, depois de haver acompanhado o final da gestão Prestes Maia e, em seguida, a gestão Faria Lima (65/69) e Figueiredo Ferraz, entre 71 e 73, pude ver de perto a feitura do Plano Urbanístico Básico e do PDDI, bem como o esforço do prefeito Olavo Setúbal para implementá-los, entre 75 e 79. Foi quando conheci essa miríade de entidades representativas, na época capitaneadas por duas delas que ainda não ressuscitaram, Instituto de Engenharia e Instituto dos Arquitetos; foi quando testemunhei o poder do chamado mercado imobiliário nos três poderes.
Por isso, fico intrigado com essa repentina renascença de eternos ícones da participação popular, agora empenhados no plano 2013/2023. Principalmente por observar uma sociedade catatônica, que discute o amplo uso de bicicletas numa cidade erguida sobre um mar de morros ou colinas com até centenas de metros de aclives e declives, subidas e descidas íngremes que só atletas munidos de máscaras de oxigênio poderiam vencer sem maiores riscos, uma vez que a atmosfera paulistana continua altamente poluída e contraindicada para esforços pulmonares, seja nas ladeiras quase a prumo ou no fundo de vales de esgotos a céu aberto, como o Pinheiros e Tietê, com suas nuvens de mercaptanas, gás sulfídrico e muito carbono. Afinal, além do que sobrou de suas 55 mil indústrias e chaminés malcheirosas, a Paulicéia ainda convive com os escapamentos de 30 mil ônibus municipais e intermunicipais, 40 mil táxis e lotações e sete milhões de veículos em uso por causa de mais um desrespeito ao plano diretor de 72 (PDDI): ao invés de termos 400 quilômetros de linhas de metrô, temos apenas 65 quilômetros, por conta do profundo silêncio de nossos auto-proclamados representantes, amigos e assemelhados - como é o caso de vereadores empenhados em dar nome às ruas de nossos 1.530 km2 de área paulistana; deputados e promotores públicos.
E uma elite que paira acima disso tudo, a bordo da segunda maior frota mundial de helicópteros particulares, única maneira de fugir do engarrafamento diário de até 260 quilômetros de extensão. Nesse contexto, lembrando que temos um representante da colônia árabe como alcaide, além de possuirmos as maiores concentrações de japoneses, italianos, espanhóis, portugueses e sírios fora de seus países de origem, não seria interessante apelarmos para a ajuda internacional visando neutralizar a indústria imobiliária (e o imobilismo em transportes públicos tão do agrado das multinacionais que aqui vendem seus carros)enquanto procuramos encontrar meios de transformar nosso espaço urbano inteiramente mercantilizado em cidade digna desse nome? 
  

Artista argentino faz desenhos gigantes em ruas paulistanas
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 11:20
Por Nilva de Souza
Do Estadão.com.br
Argentino deixa rastros gigantes em ladeiras de SP
Artista troca galerias por asfalto e ganha reconhecimento ao pintar lagartixas, ratos e outras figuras em ruas de Pinheiros e Perdizes

Valéria França - O Estado de S.Paulo

Primeira obra da série surgiu na Rua João Moura, em Pinheiros, na zona oeste
Tem artista que começa a carreira pintando os muros da cidade e, em um segundo momento - após ganhar fama e respeito no meio -, passa a pintar telas e a participar de exposições em galerias. O argentino Tec, de 37 anos, fez justamente o contrário.
Formado em Desenho Gráfico pela Universidade de Buenos Aires, ele veio para o Brasil a convite da Galeria Choque Cultural, mas ganhou notoriedade quando resolveu desenhar figuras gigantes em ladeiras de São Paulo. As pinturas provocaram reações inesperadas.
Tudo começou há um ano, quando o artista se mudou para a capital. A primeira obra da série surgiu na Rua João Moura, em Pinheiros, na zona oeste. Tec desenhou ali o contorno de uma figura humana que segura um rolo em uma das mãos e cruza as pernas em volta da faixa central da via, como se ela fosse um cano por onde o personagem desliza.
Curiosidade. "Foi impressionante, saí uma noite de casa e, quando voltei, estava ali aquele desenho", diz a publicitária Nina Hungria, de 43 anos, cuja sacada de seu apartamento dá para a ladeira. "Fiquei tão intrigada com a pintura que resolvi investigar quem tinha feito." Nina descobriu Tec no Facebook e lhe enviou um e-mail. "A rua ficou muito mais divertida, você não poderia ter escolhido um lugar melhor para ele. Não sei se você tem passado por ali, mas de um tempo para cá o desenho está apagando", escreveu Nina, pedindo um retoque.
"Não retoquei. Acho melhor pintar outra coisa em cima", diz Tec, que ficou feliz com os inúmeros e-mails recebidos que expressavam satisfação com o novo visual da via.
Nessa época, o artista ainda não conhecia bem a cidade e, com medo de se perder, não esquecia do GPS de bolso.
"Não tinha amigos aqui. Tudo era desconhecido. O meu celular nem tocava." Foi assim, sem querer, que descobriu Perdizes. "Na Argentina não tem isso, ladeiras", diz, até hoje, admirado.
Em uma noite, ele foi com rolo, spray e tinta para a Rua Bartira e começou a desenhar uma lagartixa. "Moradores saíram de casa e foram me ajudar. Alguns trouxeram água, outros ajudaram a desviar os carros para que o desenho não estragasse."
Confusão. Entusiasmado, o argentino fez um rato na rua paralela, a Caiubi. "As pessoas odiaram. Acharam ofensivo. Disseram até que era uma provocação argentina. Não tive a intenção", diz Tec. "Quando se escolhe um suporte não convencional, como a rua, a arte ganha outra dimensão. O artista precisa estar preparado ao alterar o espaço onde as pessoas vivem", afirma.
Tec fará uma exposição individual em maio na Choque Cultural. "Vou pedir para ele pintar um peixe no asfalto, na frente da galeria", antecipa o curador Baixo Ribeiro. "Aquele trecho alaga sempre que chove
A trajetória política de Eduardo Suplicy
Enviado por luisnassif, dom, 24/02/2013 - 09:02
Por Walter Decker
Imperdível entrevista e matéria sobre a trajetória do senador Eduardo Suplicy.
Do Valor Econômico
O Quixote da renda mínima
Paulo Totti
Eduardo Suplicy terminara sua palestra para estudantes do 4º ano de economia da Fundação Santo André, quando Lula, na segunda fila de carteiras da sala de aula, levantou a mão e fez a primeira pergunta. Queria mais detalhes sobre a má distribuição de renda entre os brasileiros.
Do fundo da sala, um professor protestou: "O que é que o diretor da escola vai dizer quando souber que está aqui um perigoso líder sindical?"
Surpreso e embaraçado, naquele tempo ainda tímido, Lula se retira da sala. Estava na faculdade por sugestão de um aluno: "Vai falar aquele cara que escreve na 'Folha', um crítico da política econômica, todo mundo pode assistir". Suplicy retoma a palavra: "Vocês estudam para ser economistas e eu queria lhes dizer que na hora de tomar decisões sobre política econômica é importante escutar os empresários e também os trabalhadores".
Lula esperou Suplicy no pátio da fundação, centro da cidade de Santo André, região metropolitana de São Paulo. Apresentou-se, trocaram telefones e foi feito o convite: "Apareça no sindicato para conversar".
Assim o economista Eduardo Matarazzo Suplicy, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), então colunista da "Folha de S. Paulo", conheceu o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Luiz Inácio da Silva. Era 1976, Brasil sob a ditadura do general Ernesto Geisel. A partir dali trocaram muita conversa no sindicato.
Dois anos depois, Suplicy lançou o livro "Compromisso" e a Editora Brasiliense promoveu no calçadão em frente da sua livraria, no centro de São Paulo, um encontro entre o autor e o metalúrgico. Era uma espécie de entrevista, Lula e outros sindicalistas perguntavam e Suplicy respondia. Populares se aglomeraram ao redor, passaram a fazer perguntas também a Lula, e o ato se transformou numa manifestação pela democracia. O suplemento "Folhetim" da "Folha de S. Paulo" publicou texto com o título "Intelectual conversa com operários sobre brasileiros" e o jornalista Caio Túlio Costa publicou a íntegra do "poliálogo" no jornal literário "Leia Livros".
O regime militar sobrevivia, Lula ainda não fundara o PT e Suplicy era candidato do MDB a deputado estadual - percorria o Estado num jipe velho emprestado por um amigo. A presença de Lula no ato era apoio implícito à candidatura. Suplicy foi descrito assim pelo sindicalista: "Intelectual e professor de economia que poderia estar do lado do sistema... [mas] tem dito muita coisa daquilo que o movimento sindical tem reivindicado". Muito por alto, sem detalhes, Lula fez referência à necessidade de "a classe trabalhadora criar um partido político que a represente".
Lula parecia pronto para entregar-se à sua obsessão futura: o PT, Partido dos Trabalhadores. E Suplicy, embora falasse em desigualdade social, ainda não elaborara a própria, compulsiva, prioritária, redundante, obsessão: a "renda mínima", que mais tarde chamaria de "renda básica da cidadania". Lula e Suplicy, nas palavras do primeiro, estavam "afinados" e talvez essa tenha sido a sua temporada de melhor relacionamento ao longo dos 35 anos seguintes. Ambos não admitirão hoje que conviveram melhor antes de Lula fundar o PT e Suplicy estar entre os primeiros que o ajudaram a fundar.
Se questionado, Lula poderá lembrar que, quando Suplicy foi consultá-lo em São Bernardo sobre a possibilidade de ser seu adversário nas prévias que escolheriam o candidato do partido à Presidência, deixou-o à vontade para competir. "Vai lá no diretório nacional e se inscreva, você tem todos os direitos e méritos." Realizou-se a prévia, em 17 de março de 2002. Foi a primeira e única que o PT realizou para escolher candidato a presidente; outros partidos ainda não se atreveram. Votaram 171 mil militantes em todo o país. Lula venceu com 84,4% dos votos válidos. Suplicy apoiou o vencedor e saiu em campanha pelo país. Mas ninguém ignora que, desde então, a aproximação é apenas protocolar. Seus encontros são raros e Lula não mais chamou Suplicy para discutir os rumos da economia.
Suplicy diz que agora está empenhado em ser novamente candidato do PT para um quarto mandato no Senado. Há apenas uma vaga em disputa e só uma hipótese de Suplicy desistir. "Se Lula quiser ser o candidato, eu abro mão. É a primeira vez que declaro isso à imprensa. Desistiria em sinal de respeito pelo presidente, respeito que envolve amizade e companheirismo desde aquele encontro na Fundação Santo André", disse o senador num prolongado jantar no Mercearia do Conde, agradável restaurante da região dos Jardins, em São Paulo, que escolheu para este "À Mesa com o Valor".
Suplicy convalesce de uma pneumonia que o deixou cinco dias no hospital. Por isso, vai tomar suco de laranja. O repórter pede uma taça de malbec Killka, da altitude de Mendoza, de regular estrutura e leve toque de baunilha. O "maître" sugere e o senador, conhecedor da casa, recomenda o risoto de abóbora com carne-seca, mandioquinha palha e mostarda refogada, compartilhado pelo entrevistado, o repórter e o fotógrafo Luis Ushirobira. O risoto é realmente saboroso. E o colorido agrada aos olhos. Como entrada, "bruschetta" mista.
A pneumonia deixou preocupados os três filhos, o pessoal do seu gabinete, os amigos, a namorada, a jornalista Mônica Dallari - estão juntos há uma década, mas moram em casas diferentes. No terceiro dia, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, sua ex-mulher, ligou para saber se tinha melhorado. Esta noite, Suplicy diz que está recuperado, quase não tosse. Mas a secretária Valéria, às 22 horas, telefona para perguntar se tomou o antibiótico na hora certa. E o filho João telefonaria à 1h08 para avisar que é hora de ir para casa.
- O que provocou a pneumonia?
- Foi a primeira em 71 anos e meio. A causa foi o excesso de atividades. E um pouco talvez de preocupação e tensão com fatos políticos. Terminei o ano com ótimas notícias e outras que me causaram preocupação.
- Fiquei curioso. Comece pelas ótimas...
Em seu conhecido estilo de relatar lenta e detalhadamente o que se passa, Suplicy diz que a primeira boa notícia partiu do prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, que incluiu a renda básica da cidadania em seu programa de governo.
Suplicy era um dos postulantes à candidatura pelo PT; os outros, além de Haddad, eram a senadora Marta Suplicy e os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini. Para ouvir os pré-candidatos, o PT realizou 33 reuniões dos diretórios distritais, algumas com a presença de até 400 militantes, e a última num salão da Assembleia de Deus no bairro de Guaianazes, com 1.300. Faltando duas ou três semanas para o encerramento do processo das prévias, Lula fez um apelo a Marta, Tatto e Zarattini para desistirem em favor de Haddad. "Por alguma razão, não fui convidado para essa reunião", diz Suplicy. Logo depois, a própria presidente Dilma Rousseff renovou o apelo a Marta, que, como os outros já haviam feito, aceitou retirar a candidatura e deixou a vice-presidência da mesa do Senado para ser ministra da Cultura. E desapareceram as chances de Suplicy ser o escolhido.
Na reunião final, Suplicy usou seus 15 minutos para a explicação - e a repetiu no jantar, quase literalmente - do avanço que representaria a adoção do programa da renda básica em São Paulo, pois, segundo ele, é ainda mais abrangente, simples e desburocratizado que o Bolsa Família. É universal e incondicional, dispensa fiscalização. "Os 13 milhões de habitantes de São Paulo, do Antônio Ermírio à dona Maria", têm direito a um benefício básico, que Suplicy estima em R$ 70 per capita. De início, atingirá os mais necessitados, depois vai-se ampliando por etapas. O senador perguntou se os filiados do PT concordavam. A plateia toda levantou o braço. Haddad, orador que o antecedera, já anunciara a adesão à renda básica. Suplicy, então, retirou a candidatura. Haddad soubera na noite anterior, pelo deputado federal Paulo Teixeira, a que Suplicy condicionava seu apoio. E o senador agora está atento às declarações do prefeito à cata de prenúncios de que a promessa será cumprida.
A experiência mundial mais exitosa da renda básica está no Alasca, que Suplicy considera o "mais igualitário" Estado americano, e o seu introdutor foi um governador republicano, antecessor de Sarah Palin. Richard Nixon tentou estendê-la para o país inteiro, conseguiu a aprovação de 260 contra 150 na Câmara dos Representantes. No Senado, porém, o projeto foi sepultado na comissão de finanças. Um conservador fez a seguinte observação: "Dois vizinhos, um sai de casa todo dia para trabalhar; o outro passa o dia na cadeira de balanço em sua varanda, este também vai receber?" Como a resposta foi afirmativa, a proposta caiu por 10 a 6. Mas no Irã já existe renda básica e no Brasil é lei, desde 2004. Quando o presidente Lula a sancionou em solenidade no Planalto, chamou Suplicy de "Dom Quixote da renda mínima". Apesar disso, só um município a pôs em vigor: Santo Antônio do Pinhal, 7 mil habitantes, a 170 quilômetros de São Paulo.
Outra alegria de Suplicy foi ter sido apontado como o senador do ano pelo site "Congresso em Foco". Votaram 186 jornalistas para indicar os dez melhores senadores. Suplicy ganhou no quesito "defensor da democracia". A partir daí, os internautas escolheriam o melhor entre os dez. Votaram 200 mil e Suplicy venceu. A entrega do prêmio, na base do "the winner is...", foi num concorrido jantar. No discurso, Suplicy defendeu a realização obrigatória de prévias para escolha de candidatos aos pleitos majoritários em todos os partidos. E também o registro, na internet, das contribuições para a campanha eleitoral de todos os candidatos. "Registro em tempo real, imediato, como fiz na campanha de 2006." O senador considera as propostas relevantes para a democracia. "Inclusive para nós, do PT, para darmos exemplo e corrigirmos eventuais problemas que motivaram a Ação 470, o chamado mensalão".
Na festa houve duas surpresas. Suplicy não falou de renda básica, e Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, o performático roqueiro Supla, apareceu num telão, sem prévio aviso, para saudar o pai: "Então, pai, parabéns, é isso aí. (...) Você não tá preocupado com poder, poder, poder. (...) Você é um voluntário da pátria, tá ligado?"
A ligação entre Suplicy e os três filhos sempre foi estreita e aparentemente se fortaleceu depois que o pai se separou de Marta. O mais velho, André, é advogado e os outros dois, Eduardo (Supla) e João - que se separou no ano passado da atriz Maria Paula, ex-integrante do "Casseta e Planeta" - são cantores. O pai às vezes se junta e formam um trio de roqueiros. [O senador conhece outras músicas, além de "Blowin' in the Wind", de Bob Dylan]. Na noite deste jantar com o Valor, que Suplicy fez questão de esticar até sua casa, às 2 horas -"Tenho que lhe dar dois livros sobre a renda básica" -, João ficou acordado na sala até o pai chegar. Na noite seguinte, iriam juntos ao estádio do Pacaembu assistir ao jogo do Santos. E levariam os mais crescidinhos dos cinco netos de Eduardo e Marta Suplicy.
A relação da família com a cidade de Santos vem do fim do século XIX, quando Luiz Suplicy fundou junto ao porto uma corretora de café. Em 1912, seu filho, Paulo Cochrane Suplicy, jogou no Santos na primeira partida que o time disputou. E o neto Eduardo recita escalações do Santos ainda antes da era Pelé, do goleiro Manga a Tite, ponta-esquerda.
- O senhor jogou futebol?
- Gostava de todos os esportes, mas aos 10, 11 anos, passei a preferir o boxe.
Praticava no porão de casa na alameda Casa Branca com alameda Santos. Dos 15 aos 20 anos frequentava academias, fazia luvas com lutadores mais experientes, profissionais. Em 1962, já com 21, decidiu disputar um torneio de estreantes patrocinado pelo jornal "Gazeta Esportiva".
Amigos e amigas da elite paulistana foram à noite de estreia. No vestiário, o treinador Lúcio Cruz advertiu: "Não se assuste com o tamanho do negrão". O adversário era realmente forte, mas não poderia ser muito maior que Suplicy, pois eram meio-pesados, categoria inferior a 79 quilos.
"Quando entrei no ringue, os amigos aplaudiram, eram uns 50. Mas o público era de 500 pessoas e elas gritavam pro meu adversário: 'Acaba logo com esse filhinho da mamãe!'" O senador sorri: "De repente me vi no centro do furacão da luta de classes..."
No primeiro round, Suplicy leva um murro no queixo que o derruba. "Olho para o Lúcio e ele fala 'calma, espera contar até oito e daí faz tudo o que você sabe'". No segundo round, Suplicy derruba o adversário duas vezes e ganha por nocaute. No dia seguinte, aparecem na contracapa da "Gazeta Esportiva" a foto do vencedor e a manchete: "Eduardo Matarazzo Suplicy sai da lona para ganhar por nocaute".
A segunda luta foi num estádio para 5 mil pessoas, e até a TV Paulista transmitiu. O adversário se chamava Getúlio Veloso. Luta equilibrada, ninguém caiu. "Dois jurados votaram em mim e o outro no Getúlio."
Passados dois dias, o presidente da federação de pugilismo diz que um dos jurados se enganou, queria votar em Getúlio e colocou o nome de Suplicy na papeleta - algo improvável, porque a papeleta deveria conter, também, a soma dos pontos em cada round. "Consideraram Getúlio vencedor."
Derrotado no tapetão, Suplicy diz que resolveu "lutar por outras coisas na vida". Já cursava administração na FGV e começava a interessar-se por economia e política. Exercitou-se nas luvas por mais alguns anos e ainda hoje mantém a forma, 1,83 m, 97 quilos, com corridas e caminhadas em Brasília e ginástica com uma treinadora pessoal na pracinha em frente da sua casa em São Paulo. Só não faz ginástica no domingo, dia de ir à missa.
Lula tinha razão: Suplicy poderia, mesmo, ser do "sistema". Pelo lado da mãe, dona Filomena, hoje com 104 anos e bem de saúde, o senador é bisneto do legendário "conde" Francesco Matarazzo, o maior industrial do país na primeira metade do século passado, e, por parte do pai, pertence, com oito irmãos, à linhagem de grandes corretores de café em Santos. [Quando se casou com Marta Teresa, em 1964, houve a fusão com uma terceira dinastia: os Smith de Vasconcellos, barões (verdadeiros) em Portugal e no Brasil.] O adolescente Eduardo estava destinado a levar vida de playboy, clubes, festas, Guarujá, Campos do Jordão, fazenda em Bragança.
Aos 15 anos, convidou Dilson Funaro, seu cunhado, casado com Ana Maria, para padrinho de crisma. O futuro ministro da Fazenda deu-lhe de presente uma biografia de Galileu Galilei (1564-1642). O livro sobre o astrônomo italiano foi detonador de mudanças: "Percebi como é importante a busca da verdade, mesmo que se sofra por isso. Até minhas notas melhoraram, pois passei a levar a vida a sério. Essa foi a parte de que a família gostou".
Parte da família não gostaria, anos depois, quando ele voltou de viagem ao Leste Europeu com "ideias de esquerda" - em verdade, estranhou o partido único e a ausência de liberdades civis, mas aprovou a distribuição de renda e "a existência de creches".
Essa viagem, um convite para participar do Festival da Juventude organizado pelo Partido Comunista em Helsinque, Finlândia, com passagens por União Soviética, Polônia, a antiga Checoslováquia, Bulgária, Alemanha Oriental, propiciou a estreia de Suplicy na imprensa. Ricardo Amaral assinava a coluna "Jovem Guarda" no jornal "Última Hora", em que a turma de Suplicy às vezes era citada. Quando soube que o estudante de administração na FGV iria para o mundo socialista, Jorge Miranda Jordão, diretor de redação da "UH" e então namorado de Maria Teresa Lara Campos, filha do primeiro casamento de Dona Filomena e meia-irmã de Suplicy, convidou-o a escrever sobre a viagem. Foram 15 reportagens numa série intitulada "Um jovem-guarda atrás da Cortina de Ferro". Na volta do mundo socialista, consequência das muitas viagens, noites maldormidas e talvez - ele nega - excesso de brindes com vodca "pela paz e amizade entre os povos", o boxeur de 21 anos teve um colapso nervoso na Suíça e enfrentou a socos seis seguranças no sanitário de um aeroporto. Alguns amigos passaram a acreditar que fora mesmo submetido a uma lavagem cerebral na URSS.
Nesse ambiente, em 1960 conheceu Marta. Casaram-se em 1964 e dois anos depois seguiram para East Lansing para mestrado de Suplicy na Michigan State University. Voltaram em 1968, quando Suplicy passou a lecionar na FGV, e estão em Michigan novamente em 1970 para Suplicy fazer o doutorado em economia e Marta, mestrado em psicologia. O regresso definitivo é em 1973. Suplicy leciona na FGV e passa a escrever artigos para jornais.
Era editor de economia da revista "Visão" quando seu ex-colega de redação Vladimir Herzog é assassinado nos porões do DOI-Codi. Suplicy e Marta têm viagem marcada para uma reunião da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão da ONU. No aeroporto de Guarulhos, são detidos pela polícia e, em salas separadas, obrigados a despir-se totalmente. A polícia procurava uma entrevista do cardeal dom Paulo Evaristo Arns sobre a morte de Herzog, que a revista fez, mas não chegou a publicar. Um agente infiltrado no meio jornalístico fizera a denúncia ao Serviço Nacional de Informações (SNI) de que Suplicy levava a entrevista para entregá-la ao "The New York Times". Como a acusação era mentirosa, o casal foi liberado e conseguiu viajar.
Suplicy vai trabalhar na "Folha" como repórter da editoria de economia e é um dos primeiros economistas a escrever para a seção "Tendências e Debates", na página 3. Por aí começou a ser conhecido e abriu-se o caminho para sua notória carreira política. Deputado estadual pelo MDB em 1979, entra para o PT em 1980 e por essa legenda é deputado federal (1983-1987), vereador em São Paulo (1989-1990) e, desde 1991, senador em três mandatos consecutivos. Nestes 23 anos, acompanhou o partido em todas as votações consideradas importantes, além de ter sido, com o deputado José Dirceu, o autor do requerimento de criação da CPI que levou à renúncia do presidente Fernando Collor em 1990, além de assumir algumas altitudes insólitas, e, por isso, de repercussão midiática: foi de pijama de seda listrado participar de um acampamento de sem-terra e deu, da tribuna, cartão vermelho ao presidente do Senado, José Sarney. O esforço para aparecer na imprensa levou-o esta semana a Recife para receber a blogueira cubana Yoani Sánchez e envolver-se nos incidentes com um grupo de manifestantes a favor de Fidel Castro. Mas na semana anterior mandou carta ao presidente Barak Obama em que reitera o apelo para suspensão do embargo contra a ilha. E, em 2011, manifestou-se reiteradamente pela libertação de Cesare Battisti, acusado na Itália de assassinatos políticos em processo que Suplicy considerou uma farsa. "Sou coerente na defesa da liberdade", diz.
- No início desta conversa, o senhor falou de boas e más notícias recebidas no fim de 2012. Que más notícias foram essas?
- A primeira foi o Valor que publicou. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse ao jornal que o partido poderia abrir mão da candidatura própria ao Senado em 2014 para facilitar alianças. Ora, a preferência é minha, pretendo me reeleger. Foi uma desconsideração. "Você podia ter conversado comigo antes", reclamei com o Rui. "Olha, Eduardo, também li uma entrevista sua em que você diz que ia ser candidato a governador, e não conversou comigo antes", foi a resposta do Rui.
- E a outra preocupação?
- A bancada do PT no Senado rejeitou minha aspiração de ser presidente da Comissão de Economia, a CAE.
Já em 2011, Suplicy abriu mão da presidência da CAE em favor do senador Delcídio Amaral (MS), que lhe disse ser candidato a governador em 2014 e exercer a presidência da segunda mais importante comissão da Casa, nos primeiros dois anos da atual legislatura, ajudaria em sua campanha. "Tá bom", teria respondido Suplicy. "Então fico no segundo biênio". Em dezembro de 2012, Lindbergh Farias (RJ) procurou Suplicy para dizer que também pretendia ser governador. Propunha, então, ser o presidente neste ano e Suplicy o seria no próximo. Suplicy ponderou que, pelos seus conhecimentos de economia, e por ser o mais antigo senador do PT - foi o único senador petista eleito em 1991 -, seria justo presidir a CAE. Mas concordaria em ser presidente em 2014. Na reunião da bancada, foi lembrado o dispositivo regimental que estabelece que os cargos nas comissões têm duração de dois anos - os partidos, se quiserem, podem flexibilizar a exigência - e Lindbergh foi o escolhido para o biênio. "Somos 12 senadores do PT. Perdi por dez a dois. Só Paulo Paim [RS] votou em mim."
- Qual foi sua reação?
- Fiquei muito entristecido. E pensando: será que é alguma diretriz do partido? Será que tem a ver com a eleição do ano que vem? O que aconteceu é que desde esse dia comecei a tossir muito. Diria até que a minha pneumonia teve a ver com isso. [Ri] O médico disse que ocorre às vezes no impacto da separação de casais. É a chamada "broken heart single", síndrome do coração partido. No meu caso, pulmão.
- Pode ter sido uma segunda derrota no tapetão. Mas agora o senhor está sob o assédio da Marina...
- Da Marina Silva fui companheiro, amigo. Quando ela saiu por conta própria do PT, lhe disse que ficaríamos juntos, dialogando, lutando por propósitos comuns. Já sugeri a Marina que coloque a renda básica da cidadania nos objetivos de seu partido, é o que acontece com os Partidos Verdes da Europa. Quando a Heloisa Helena foi expulsa do PT, em 2005, votei contra a expulsão. Devo às duas também a gratidão por terem me oferecido conforto quando eu e Marta nos separamos, em 2001.
- Isso o leva a cair na Rede?
- Sou defensor da fidelidade partidária. Ingressei no PT por acreditar nos objetivos de construção de uma sociedade mais justa, com democracia, garantia de liberdade de expressão, pluralidade de partidos. É o que está no nosso manifesto de fevereiro de 1980. Quantas vezes ouvi pessoalmente do presidente Lula que para nós, do PT, a questão ética é fundamental! Continuo a lutar por isso e dentro do PT. Digo mais, já tenho candidato a presidente em 2014. É a presidente Dilma.