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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Rui Daher: Porque não andam os investimentos
Enviado por luisnassif, qua, 05/12/2012 - 12:29
Por Rui Daher
Do Terra Magazine
Porque não andam os investimentos
Mesmo sendo uma posição mais cômoda, a incredulidade com um crescimento econômico robusto para o Brasil, em 2013, vem perdendo adeptos.
Por que não? Nunca desejei exclusividade de quem me a sugere.
Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse, e Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, em entrevista e artigo para o Valor, de 03 e 04/12, respectivamente, seguram a onda de que o “pibinho” calculado para o 3º trimestre danou 2013.
Para o primeiro, é possível o Brasil crescer 4% no próximo ano e 4,5%, em 2014.
O segundo, ao citar discrepâncias no cálculo do setor de serviços, diz: “os economistas que projetam uma reativação já em andamento não estão afinal tão enganados e quaisquer medidas adicionais de estímulo para reaquecer a economia são agora absolutamente desnecessárias”.
Penso eu dando ouvidos ao meu desenfreado otimismo: “rapaz, se desnecessárias, imagina então com elas”.
Os estímulos pululam por aí. O governo federal é mãe e o BNDES babá da reativação econômica.
Nem por isso os empresários se dispõem a investir. O mistério se discute, atualmente, nas folhas e telas cotidianas.
Há um entrave, e ele pode estar na alma e na cultura do setor privado nacional.
Não serão os juros mais baixos, desonerações das folhas de pagamentos, câmbio mais ajustado, custo menor de energia, burras abertas no BNDES, STF valentão, que farão aumentar os investimentos.
Na melhor das hipóteses, e o que já é muito bom, vai-se continuar a manter os postos de trabalho. Fim de ano, festas, presentes. Just in case.
Mas investir, rapaz, só depois de um bom período com forte demanda. Aqui e lá fora.
Tão irregular foi o desempenho econômico do país após os anos do “milagre”, que, mordidos por cobra, hoje os empresários têm medo de linguiça.
Nos últimos dez anos, para o investimento crescer de forma sustentada foi preciso evidências do tamanho da Muralha da China.
Ou já nos esquecemos da reação do pessoal assim que ficou clara a crise de 2007/2008? Por muito pouco, nem os canaviais sofreriam tantos cortes quanto o que se preparava para os chãos de fábricas e escritórios.
Os baixos crescimentos, em 2011 e 2012, fizeram a iniciativa privada procurar o improviso. Um puxadinho aqui, uma gambiarra ali, um restinho de capacidade ociosa acolá. Afinal, o consumo interno pouco caiu.
Investimento mesmo só depois que os gregos fizerem a lição de casa passada pela Merkel e quando todos os setores da economia nacional estiverem batendo recorde atrás de recorde.
Como parte da explicação, não se deve descartar conversas em repastos de negócios nos bons restaurantes do país. Assim:
“Você viu o que ela fez com os bancos? Eu hein”.
  

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