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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


A ampliação do Pronatec
Enviado por luisnassif, sex, 07/12/2012 - 11:26
Por Assis Ribeiro
Do Correio Braziliense

Uma nova chance para retomar o ensino médio

GRASIELLE CASTRO » JULIA CHAIB

Governo amplia o programa que oferece cursos profissionalizantes para receber quem abandonou os estudos e quer voltar à sala de aula

A partir do ano que vem, os estudantes que já terminaram o ensino médio ou que desistiram dessa etapa da educação antes de concluí-la poderão voltar à sala de aula para retomar a educação básica na modalidade técnica profissionalizante. Essa medida, anunciada ontem pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e pela presidente Dilma Rousseff, no 7º Encontro Nacional da Indústria (Enai), foi chamada de Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) — Novas Oportunidades, uma ampliação da política pública de cursos técnicos e de educação continuada criada no ano passado. Na ocasião, tanto o ministro quanto a presidente assinaram uma medida provisória para estabelecer essas novas regras. A proposta, entretanto, divide opiniões.

De acordo com Mercadante, é preciso fortalecer o acesso ao ensino técnico e profissionalizante, pois são esses profissionais os responsáveis por aumentar a produtividade, a eficiência e a inovação da indústria e do setor produtivo. “Esse país precisa estudar mais. Estudar junto, no chão da fábrica, aprendendo uma função e se desenvolvendo tecnicamente, impulsionando a vida na família e o desenvolvimento do país”, discursou. Além da medida provisória, a pasta firmou uma parceria com os ministérios da Justiça e da Previdência Social para aumentar o rol de beneficiários do programa. Tanto presidiários ou egressos do sistema quanto os que estão na recuperação da saúde, de acidente de trabalho ou outros tipos de acidentes poderão usar o Pronatec como ponte para reinserção no mercado de trabalho.

O professor Mozart Neves Ramos, conselheiro do movimento Todos Pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), acredita que a ação governista pode ajudar a trazer para a sala de aula os jovens que não estão estudando nem trabalhando. “Existem cerca de 5,3 milhões de jovens de 18 a 29 anos nessa situação. A perspectiva de voltar e se integrar ao ensino profissionalizante, de trazer de volta esse jovem, é extremamente positiva”, defendeu.

O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni concorda com Mozart. Mas ressalva que é necessário montar uma força tarefa para convencer os empregadores de que as pessoas com curso técnico devem ser valorizadas e que merecem espaço no mercado de trabalho. “Quanto mais reconhecimento tiverem, maior será o estímulo para mais pessoas, que por vezes não tem recursos ou oportunidades de cursar uma universidade, recorrerem ao ensino técnico como opção”, diz. Na opinião de Castioni, a medida é importante porque, ao participar de um curso livre do Pronatec, a pessoa não ganha certificado de nível de técnico.

Para o especialista, o ideal é se matricular em uma cadeia de cursos, como pretende fazer a musicista Suzana Oliveira, 49 anos. Com curso superior incompleto e de olho na Copa do Mundo de 2014, ela viu nos cursos livres do Pronatec uma oportunidade de qualificação. “Este ano, eu fiz um curso de recepcionista de eventos porque, além de musicista, também sou produtora cultural e as aulas me auxiliarão”, acredita ela. “Para o ano que vem, já estou certa de que farei aulas de espanhol e de inglês. Isso me ajudará a preparar eventos, tocar em mais lugares ou mesmo trabalhar em outra função durante a Copa”.

Por outro lado, o professor do Instituto Federal de Santa Catarina e coordenador de Políticas Educacionais do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Marcos Neves, explica que já existem programas de formação técnica voltados para os que terminaram o ensino médio. “Não tem necessidade de a pessoa fazer de novo. Ela pode, por exemplo, fazer um curso de secretariado ou de eletrotécnica”, diz. Para ele, o programa “quase não tem oferta para profissionalização com aumento de escolaridade”, argumenta. O balanço do ministério mostra que mais de 2,5 milhões de pessoas foram atendidas pelo programa. Dessas, 780 mil — equivalente a 30% — em cursos técnicos profissionalizantes.


» PRONATEC

Inscritos em 2012
2,5 milhões

789 mil
em cursos técnicos

252 mil
em cursos técnicos
na rede federal

1,7 milhão
em formação
inicial ou continuada

Oferta para 2013

2,29 milhões
de vagas
724 mil
para técnicos
1,5 milhão
para formação inicial
e continuada

Meta para 2014
8 milhões

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