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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

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EUA consideram Assange e Wikileaks como 'inimigos de estado'
Enviado por luisnassif, sex, 28/09/2012 - 09:46
Por zanuja castelo branco
Do Opera Mundi
Wikileaks e Assange são classificados como "inimigos de estado" pelos EUA
Categoria é aplicada para Al Qaeda e Talibã e pode ter importantes consequências para processo judicial contra fundador do site no país
Assim como a rede terrorista Al Qaeda e o grupo insurgente afegão Talibã, Julian Assange e o Wikileaks são classificados como “inimigos de estados” pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, segundo documentos divulgados nesta quinta-feira (27/09) pelo jornal australiano Sydney Morning Herald.
Leia mais: Assange ironiza Obama e pede fim de "perseguição" dos EUA
O arquivo da inteligência militar das Forças Aéreas dos EUA, cedido por conta da lei de direito a informação, revela que os oficiais que se comunicarem com a administração do site podem ser denunciados de “comunicação com inimigo”. A sentença máxima para este delito militar é a pena de morte.
Os documentos mostram que os militares norte-americanos investigaram um analista de sistemas cibernéticos do Reino Unido que poderia ter demonstrado apoio ao Wikilikeaks participando de manifestação pró-Assange. Os oficiais queriam saber se este homem, que tinha acesso a informações secretas do governo dos EUA, estava se “comunicando com o inimigo” e vazando documentos para o site.
Os investigadores acabaram concluindo o caso sem nenhuma acusação judicial formal ao analista, que foi desligado do cargo. Mas, nem todas as histórias terminaram assim.
Bradley Manning, soldado norte-americano responsável por vazar documentos sobre a guerra do Iraque para o Wikileaks, está sendo processo por “ajudar o inimigo” por transmitir informações que se tornaram acessíveis à organizações terroristas. Há mais de 800 dias, Manning enfrenta abusos e torturas em prisões dos EUA, segundo informou Assange.
O Wikileaks e seu fundador já foram classificados como “terroristas” por diversas autoridades importantes norte-americanas. O vice-presidente dos EUA, Joe Bidden, chegou a chamar Assange de “terrorista high-tech” em dezembro de 2010; líderes congressistas pediram para o jornalista ser acusado de “espionagem”; e os republicanos Sarah Palin e Mike Huckabee exigiram que o governo “caçasse” Assange.
Michael Ratner, advogado do fundador do Wikileaks, disse que a designação do site como “inimigo” tem sérias implicações para Assange se ele for extraditado para os EUA, informou o  Sydney Morning Herald. Segundo Ratner, o jornalista pode enfrentar até mesmo a prisão militar.
Leia mais: EUA já têm acusação pronta contra Assange, revela vazamento do Wikileaks
Império dos segredos
A divulgação das informações vem apenas um dia depois de discurso de Assange via videoconferência para grupo de diplomatas na Assembleia Geral das Nações Unidas. Em 15 minutos, o fundador do Wikileaks ironizou o discurso do presidente Barack Obama e apontou a hipocrisia do governo norte-americano.
“Chegou a hora dos EUA terminarem com a perseguição ao Wikileaks, a nossa gente e às nossas fontes. Chegou a hora dos EUA se juntarem às forças da mudança não em belas palavras, mas em boas ações”, disse ele. O jornalista também afirmou que os EUA construíram um "regime de segredos".
Processo contra Assange
Assange, que lançou o Wikileaks em 2010, é procurado pela Justiça da Suécia para responder por um suposto crime sexual. Ele ainda não foi acusado ou indiciado. No Reino Unido, ele travou uma longa batalha jurídica contra sua extradição para o país escandinavo, que se recusava a interrogá-lo em solo britânico. No entanto, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que ele deveria ser extraditado. Há sete semanas, o jornalista buscou asilo na Embaixada do Equador em Londres, em uma jogada classificada como “tenaz” pela imprensa local.
Assange teme que, após ser preso na Suécia, os Estados Unidos peçam sua extradição, onde poderá ser julgado por crimes como espionagem e roubo de arquivos secretos. O Wikileaks obteve acesso e divulgou centenas de milhares de arquivos diplomáticos norte-americanos, muitos deles confidenciais
 

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