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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Pastoral vê lei penal mais violenta do que o crime
Enviado por luisnassif, sex, 28/09/2012 - 16:08
Por Gunter Zibell - SP
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI6187343-EI5030,00-Pastoral+ve+lei+penal+mais+violenta+do+que+o+crime.html
 Vagner Magalhães/Terra
Segundo o padre Valdir Silveira, a "população que morre atrás dos muros (dos presídios) não chama a atenção"
Foto: Vagner Magalhães/Terra

VAGNER MAGALHÃES
Direto de São Paulo
Às vésperas do 20º aniversário da ação que terminou com a morte de 111 presos na Casa de Detenção de São Paulo, no episódio que ficou conhecido como massacre do Carandiru, o padre Valdir Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, afirmou que, hoje, a "lei penal é mais violenta do que o crime" e que a "população que morre atrás dos muros (dos presídios) não chama a atenção".
Silveira participou na manhã desta sexta-feira de um debate sobre a situação carcerária e sobre a atual política de encarceramento. O debate foi organizado pela Rede 2 de Outubro - criada em memória às vítimas -, que ao final divulgou um manifesto pelo "fim dos massacres".
De acordo com Silveira, as políticas usadas para o encarceramento em massa estão contra o que o Estado anuncia que é a "segurança da população".
"O que se vê é uma situação em que uma massa jovem está encarcerada. Em muitos casos, a lei penal é mais violenta do que o crime. Em alguns presídios femininos, há centenas de mulheres que cumprem pena por venda de drogas. Há outras soluções para casos como esses, mas é mais fácil prender", diz.
Silveira diz que a morte dos presos que estavam sob a guarda do Estado não difere daquelas dos presos que foram mortos nos porões da ditadura brasileira. "Qual a diferença entre eles e os torturados?", pergunta. Segundo ele, porém, a Justiça não vê dessa forma.
Ao se referir ao julgamento dos primeiros 28 policiais militares acusados pelos crimes, que está marcado para janeiro, ele afirma que a prisão dos acusados não é o mais importante neste momento.
"O presídio não resolve para as pessoas envolvidas nessas mortes. Está se levando ao banco dos réus pessoas que estão na ponta da violência. Muitas vezes da mesma situação econômica dos presos. É preciso punir quem autorizou isso", afirmou. "É preciso afastar essas pessoas de seus cargos, já que muitos deles ainda estão na ativa".

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