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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

As ideologias disfarçadas
Enviado por luisnassif, sex, 28/09/2012 - 09:05
Por Darcy Brasil R da Silva
Comentário ao post "A nova jurisprudência do Supremo"
Ando sem saco para postar comentários. As coisas começam a se repetir. Eu começo a me repetir. Porém, não dá para deixar passar tanto "bom-mocismo" impunemente. Honestamente, creio que goste mais de direitistas assumidos, gente como Bolssonaro, do que indivíduos que se vangloriam por não ser "um homem apegado a ideologias"...que não pretendem "moldar o mundo a imagem e semelhança das (suas) convicções e crenças", porque são (graças ao bom Deus !) "homens de ideias, que ,por natureza, são voláteis e mutáveis, acompanham a evolução do mundo" Irca!!!
A ideologia é quase que igualada pelo nosso "livre-pensador" a uma espécie de religião. A propósito é exatamente com esse tipo de recurso ,que consiste em estigmatizar os "esquerdistas idealistas" como se fossem, no melhor dos casos, indivíduos fanáticos, tentando "moldar o mundo à imagem e semelhança de suas convicções e crenças", que a direita busca afastar as pessoas dessa "perigosa religião", viciada em referir-se a dogmas tais como "igualdade", "liberdade", "socialismo", tudo, tudo, apresentado como "ideologia", como se o marxismo, por exemplo, fosse algo em tudo parecido com um manual que amparasse as ideias saídas da cabeça de Marx e seus discípulos religiosos.
As ideias jamais serão voláteis e mutáveis se não corresponderem não "evolução do mundo" ( essa imagem é por demais vaga para que se possa referir-se a ela como base material para a mutabilidade das ideias). As ideias evoluem com a evolução e ampliação do conhecimento do mundo pelos homens, como reflexo na mente dos homens desse desenvolvimento material e também das lutas travadas entre classes antagônicas no seio de uma sociedade dividida em classes.
O sentido de "liberdade" afirmado aqui por Marcio Almeida, é totalmente falso para quem se acredita orgulhosamente como um "livre-pensador". Ora, como pode alguém ser impermeável às ideologias, considerando-se, arrogantemente, um ser de ideias cristalinas? Como devemos entender tal coisa? Seria Marcio Almeida uma espécie de Robinson Crusue a viver na Ilha da Fantasia ideal, a acreditar que as ideais que circulam em sua cabeça são obra de seu suposto intelecto anarquista e auto-suficiente? Que coincidência, não é mesmo,Marcio?, suas ideias "originais" povoam os cadernos de filosofia das revistas e jornais burgueses; circulam nas academias, entre grupos de ilustres doutores a rirem-se de seus colegas "apegados a ideologias"; escrevendo massantes tratados para confirmarem a tese do fim da esquerda e da direita: senhoras e senhores, com vocês o "neomodernismo"!! Mas o que é o neomodernismo senão o velho liberalismo apresentado sob novas vestes. E como tudo que ressurge anacronicamente, acaba se convertendo em uma farsa, como nos acautela Marx.
Não, Marcio Almeida, você pode se considerar um desapegado das ideologias, pode até acreditar nisso honestamente. Mas tal coisa seria equivalente a que alguém proclamasse poder viver sem ar.
Somos seres transpassados pelas ideologias. Não há como desapegarmo-nos delas. A única coisa que podemos fazer é estudar as ideologias, suas origens, seus desenvolvimentos, seus significados intrínsecos. Quando fazemos isto, descobrimos que as mesmas tem relação com as sociedades concretas em que vivemos. Se determinados indivíduos puderam dar elas uma forma mais elaborada, seus verdadeiros autores só poderão ser encontrado enquanto homens sociais e, principalmente, enquanto partícipes das lutas de classes.
Assim, pretender ser um "livre-pensador" é acreditar poder não tomar partido nas lutas de classes que dilaceram a sociedade, que respondem , em última análise, pela "evolução do mundo". Marcio Almeida, pretendendo ser neutro, puro, livre-pensador, acabou sendo, como sempre acontece nesses casos, um agente inconsciente da ideologia das elites dominantes .
  

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