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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A dificuldade de definição das correntes políticas
Enviado por luisnassif, sex, 28/09/2012 - 14:09
Por Edmar Roberto Prandini
Comentário ao post "O jogo político pós-eleições municipais"
É muito difícil lidar com as categorias direita, centro e esquerda ou com suas variantes.
Qual é o campo de uma "direita pura"?
Alguém que deliberadamente se apresentasse como uma organização defensora do capitalismo, dos grandes grupos econômicos, da concentração de renda? Da redução dos investimentos sociais e das políticas afirmativas de reparação de passivos sociais historicamente construídos?
Nenhum agrupamento político vai assumir esse papel, por evidente despropósito eleitoral e consequente aniquilação. Vão insistir em um discurso baseado na redução da carga tributária; na "modernização" da indústria brasileira; na qualificação profissional; na gestão "técnica" das estruturas do Estado, "sem influência política"; no direito à "liberdade de expressão"; no "fim da corrupção". Entretanto, sabemos, por décadas de experiência e luta política no país, que os que se alinham com esses temas são absolutamente descomprometidos com seu conteúdo e que o utilizam como mera falácia porquanto sua práxis se caracterize pela apropriação da máquina pública de modo patrimonialista, nos precisos moldes da elaboração de Raimundo Faoro.
Não é razoável imaginar que esse instrumento da dissimulação discursiva seja abandonado uma vez que o regime democrático e a competição eleitoral exigem que não se neguem os direitos que se tem ampliado gradativamente à medida em que a história avança.
A única oportunidade para a apresentação de um discurso mais verossímel "de direita" seria o da instalação do pânico oriundo de uma forte crise econômica, como a que está vivendo a Europa neste momento e como as que experimentamos no decorrer das décadas de 1980 e 1990. Neste contexto, evidenciar-se-iam espaços para os discursos do "ajuste" e da "segurança" ou do "risco sistêmico", que nada mais são do que a expressão nítida da expropriação pelo capital dos direitos dos trabalhadores e das demais conquistas sociais universalmente distribuídas.
Ocorre que o Brasil está vivendo um ciclo em que o desemprego tem taxa inferior a 5,5%, índice jamais alcançado em qualquer outro período de nossa história. E, com o agravante de que a tendência é de que essa taxa decline ainda mais, em função dos inúmeros projetos que se estão alinhavando para implementação nos anos vindouros. Com a consequente elevação dos valores médios dos salários.
De modo que não há oxigênio para dar fôlego a um discurso baseado nas categorias do ajuste, da segurança ou do risco, que caracterizam a verdadeira linhagem da "direita" no presente. Então, resta aos que se posicionam neste campo o discurso dissimulado que expus anteriormente. Que oculta sua verdadeira identidade como agrupamento ideológico.
Além do fato de que aos "de direita" pouco importa o discurso, o que lhes interessa efetivamente é a apropriação das riquezas tanto por meio do uso do Estado como mediação (vide a resistência à queda da taxa SELIC ou o enredo das privatizações e privatarias) quanto do assalto direto aos fundos públicos, mediante as práticas corruptas de que fazem uso, ainda quando assumem o discurso moralista (vide "mensalão do PSDB" ou a "Caixa de Pandora", de Arruda e cia, no DF).
Penso, portanto, que prosseguiremos, por muitos anos ainda, com essa presença errática dos defensores do discurso "de direita", esparramado por vários partidos, buscando alinhamentos momentâneos e corrosivos da possibilidade de uma política mais fortemente alinhada com a democracia política e social, ainda que continuem sofrendo derrotas mais frequentemente do que tenham vitórias eleitorais, especialmente nas disputas nacionais. Razão pela qual se dedicarão à ocupação de espaços no âmbito dos municípios, de forma muito intensa.
  
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