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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Miriam Leitão

Enviado por Míriam Leitão -
27.2.2012
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15h06m
NA CBN

Alemanha no meio do tiroteio

O G-20 faz reunião atrás de reunião, tentando arrumar uma solução para os problemas, mas está sempre atrasado. No fim de semana, os ministros de Finanças se reuniram no México e decidiram que é preciso fazer um super-resgate. Falam num fundo de US$ 2 trilhões - US$ 1 trilhão do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e o restante do FMI e de outros organismos.
Dizem que seria melhor se o dinheiro viesse de um agência multilateral, não de um país, para não parecer intervenção.
A Europa tem de dar a maior parte desse dinheiro e, dentro dela, a Alemanha. Se não quiser comparecer, China e Japão também não vão querer entrar nesse rateio, porque não estão com esse tipo de dificuldade.
E como convencer a Alemanha, que tem um complicado problema interno? Hoje o país vota o pacote grego. A segunda ajuda à Grécia tem de passar pelos parlamentos de todos os países do euro. A oposição alemão, felizmente, já disse que apoia, está cooperando, portanto. Mas a coalizão de direita, do governo, está muito resistente a qualquer tipo de ajuda externa. A população também não apoia. O ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, disse que a Grécia tem de sair da zona do euro.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que é contra a saída do euro de países em crise. Ele tem razão. Também não podem ser expulsos.
O mundo continua discutindo como fazer para resgatar os países em dificuldades, evitar o colapso dos que estão com problemas maiores e o contágio.
Felizmente, o Brasil está mantendo sua conjuntura protegida, mas é bom lembrar que, agravando-se a crise, todos serão atingidos de certa forma. Temos de nos proteger porque o mundo continua atravessando um período de turbulência, sem que as lideranças tenham noção de que o tempo está se esgotando rapidamente.
Merkel disse hoje no Parlamento que a Europa fracassará se o euro fracassar e que não há garantia de que o pacote à Grécia terá sucesso. Ela foi sincera. Imaginem só: ela vai ao Parlamento pedir que seja aprovado um dinheiro para a Grécia, mas diz que não há certeza de que dará certo. E diante da situação atual, como pode dar garantia de que vai dar certo? É um processo complicado mesmo.
A Alemanha é criticada pelos outros países por ser lenta demais; no seu próprio partido, por ser condescendente; nos países que estão sendo acudidos, por interferir muito. Está numa situação complexa. E o Reino Unido passa o tempo todo dizendo: a Alemanha não vai colocar dinheiro? Fica, portanto, numa situação confortável de cobrar da Alemanha, que fica no meio do tiroteito, da confusão.

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