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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Tempo e Olfato




Que me quer este perfume?

Nem sequer lhe sei o nome.



Sei que me invade a narina

como incenso de novena.



Que me passeia no corpo

como os dedos tangem harpa.



E me devolve ao pretérito

e a um ser de lava, quimérico,



ser que todo se esvaía

pela porta dos sentidos,



e do mundo, em que saltava,

qual dum espelho lascivo,



retirava a própria imagem

na pura graça da origem...



Cheiro de boca? de casa?

de maresia? de rosa?



Todo o universo: hipocampo

no mar celeste do Tempo.



CarlosDrummond de Andrade



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